A previsão da meteorologia de que outono e inverno serão atípicos este ano faz com que os técnicos recomendem aos pecuaristas alternativas para alimentar os animais criados a pasto, manejo que normalmente é indicado para o período.
O agravante, este ano, é que as pastagens, que no período das águas deveriam somar maior produção de massa verde, estão um pouco debilitadas, em função de condições climáticas que atrasaram a rebrota e o desenvolvimento das plantas no final de 2002.
Hoje os pecuaristas trabalham com poucas sobras para alimentar os animais a pasto e a situação pode piorar para quem não produzir alimentos alternativos para o rebanho no período de inverno. O alerta é do agrônomo Pedro Katsuki, de Londrina, que tem orientado o manejo alimentar em propriedades de produção de carne e leite a pasto.
E o técnico não está sozinho no alerta. O meteorologista Luiz Lizinski, do Instituto do Instituto Nacional de Meteorologista (InMet), que esteve em um evento em Londrina na semana passada, já avisou que com o final do fênomeno climático El NiÀo, em março, o ''tempo'' deverá beneficiar menos a agricultura daqui para frente.
Confirmadas as informações da meteorologia, de um inverno marcado por veranicos, chuvas irregulares e dias alternados de altas e baixas temperaturas, com extremos, as pastagens consequentemente não terão um ambiente muito propício neste período.
Daqui para frente os pastos entram no que os técnicos denomimam fase de dormência, com menor crescimento e, portanto, quantidade reduzida de massa verde.
Pedro Katski tem recomendado nos últimos anos que os pecuaristas utilizem a cana como suplementação para os animais durante o inverno, com adição do sal mineral proteinado para complementar o valor nutritivo da dieta.
''A rebrota que aconteceu não foi suficiente para que os pastos entrassem no período das águas (verão) com grande produção de massa verde. Daqui para frente, em algumas regiões, será inviável o manejo de vedação de áreas para reservas de inverno. Quem ainda tem pasto bom deve fazer a reserva,'' aconselha.
''Para os pecuaristas que não plantaram a cana (são oito meses para início da produção), resta procurar alternativas viáveis, economicamente, perto das propriedades,'' avisa o agrônomo. Ele alerta também que a falta de comida pode trazer perdas de peso e produção no plantel. Quando falta comida o animal desvia grande parte da energia que consegue nos alimentos para se manter; além de emagrecer pode ter sua parte reprodutiva prejudicada, com atraso de cios, entre outros reflexos.
A falta de oferta em ''quantidade'' também é prejudicial para o desenvolvimento de outras categorias de animais como bezerros, novilhas e até animais de engorda.

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