A previsão de um inverno normal para este ano não descarta a possibilidade de ocorrência de geadas nas regiões cafeeiras do País. Paraná, São Paulo e Minas Gerais estão na zona de risco, onde as geadas podem acontecer repentinamente, com frentes frias vindas da Argentina, seguindo a trajetória continental.
Este alerta é do pesquisador do Instituto Agronômico do Parana (Iapar), Paulo Henrique Caramori, que destaca para os cafeicultores a necessidade de estarem atentos, apesar dos prognósticos divulgados para os próximos três meses mostrarem que as temperaturas devem ser amenas. ‘‘As geadas ocorrem de forma inesperada e dependem de condições particulares de cada região, portanto não podem ser descartadas’’, confirma.
No Paraná, as geadas são ocasionadas, muitas vezes, pelo deslocamento rápido de frentes frias vindas da Argentina, passando pelo sul do Mato Grosso. Já as massas de ar frio vindas do Rio Grande do Sul se deslocam para o oceano e acabam não chegando ao Estado, explica o pesquisador.
Um século de dadosO pesquisador comentou que de acordo com estudo feito pelo Instituto Agronômico de Campinas que levantou dados de um século, as geadas severas ocorrem tanto nos invernos amenos quanto nos invernos fortes. Ocorrem com e sem a presença dos fenômenos como o El Niño e La Niña.
Também não seguem sempre aquela ‘‘tradição’’ de que geadas fortes só acontecem a cada cinco ou seis anos. ‘‘Quando falamos que em média as geadas fortes ocorrem com determinados intervalos, esta média é tirada ao longo de muitos anos e não quer dizer que se geou, por exemplo, no ano passado não vai se repetir este ano’’. ‘‘Pode acontecer de termos geadas dois anos seguidos, depois passar mais de dez anos sem ocorrências’’, completa Caramori.
Serviço de alerta A Área de Agrometeorologia do Iapar dipõe do Serviço de Alerta a Geada, que já está funcionando e informa com um prazo de antecedência sobre a possibilidade de ocorrência de geada.
No ano passado, os pesquisadores começaram a testar alternativas de práticas que o produtor pode adotar para evitar ou reduzir os danos provocados pelo frio, principalmente nas lavouras novas.
Os testes mostraram que, depois do enterrio total, o bambu-gigante é o método mais eficiente para proteger mudas novas. E os saquinhos, tanto de papel quanto de plástico, podem prejudicar ainda mais as pequenas mudas.
Foram testados procedimentos já utilizados pelos produtores, e também métodos inéditos. Segundo o pesquisador Paulo Caramori, o objetivo foi observar a eficiência das técnicas já tradicionais e compará-las também com as novas.‘‘O trabalho do ano passado deve continuar este ano, com avaliações no campo experimental do Iapar’’, comenta Caramori.
No ano passado, foram avaliados os seguintes métodos de proteção: saquinhos de papel, saquinhos de plástico, bambu, enterrio parcial, enterrio total, palha de arroz, bagaço de cana, casca de café, palha de feijão, borra de café e casca de arroz. A temperatura das folhas das pequenas mudas foram medidas continuamente com termômetros de precisão, instalados no campo experimental, através de uma estação meteorológica automática.
Evitando prejuízosO potencial de retorno deste Sistema é de 50 a 60 milhões por ano em economia de novos plantios, segundo dados divulgados pelo Iapar. A margem de acerto das previsões tem sido de 100%, dando total segurança ao produtor. ‘‘No inverno de 2000, todas as geadas ocorridas foram previstas, possibilitando que muitos agricultores evitassem prejuízos em viveiros e plantios recentes’’, confirma o pesquisador.
Anualmente, a área de café plantada vem oscilando entre 10.000 e 20.000 hectares, com investimentos anuais da ordem de 40 milhões de reais. Os alvos principais deste programa de alerta são os viveiros, as lavouras recém-implantadas, com até 6 meses de plantio no campo e as lavouras em formação, com até 2 anos de idade. Para que as previsões sejam efetivas, é necessário contar com métodos de proteção seguros e eficientes contra geadas.

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