A planta buva, ou voadeira (Conyza sp), já é conhecida de sojicultores, mas nesta safra representa uma ameaça à cultura no Paraná. A população da planta aumentou de forma significativa na região oeste e está se disseminando por lavouras em todo o estado. A falta de um controle eficiente no final da safra de inverno e ainda condições climáticas, como a ocorrência de chuvas e temperatura mais elevada no final da estação, favoreceram a planta daninha.

Nos últimos três anos, a população desta espécie aumentou muito em quantidade e abrangência. Ela foi detectada no sudoeste do Paraná, estendeu-se pela região central, chegando até o norte do estado. A invasora se disseminou no sul do país e também já é encontrada no centro-oeste do Brasil e até mesmo no Paraguai.

Na região de Goioerê, noroeste do Paraná, a planta invadiu inúmeras propriedades, o que exige controle químico e uma cuidadosa capina manual.''Em uma área foram encontradas cerca de 300 plantas por metro quadrado''. afirma Gilberto Matsushita, agrônomo da Cooperativa Integrada.

Os prejuízos com a invasora são importantes, de acordo com Fernando Adegas, especialista em plantas daninhas da Embrapa Soja, de Londrina. ''Na época da implantação da lavoura, a buva compete com a soja, disputando água e nutrientes, o que interfere na produtividade'', explica.

Um dos principais problemas desta safra é o fato de existirem plantas com maior tolerância ou resistência ao glifosato, dificultando o tratamento das áreas atingidas. Porém, o pesquisador da Embrapa afirma que a planta ocorre em áreas de soja transgênica e convencional.

Segundo Adegas, é importante que o produtor procure orientação com profissionais da assistência técnica para que o enfrentamento da buva seja efetivo.

''A buva exige ação imediata do produtor'', afirma o pesquisador. Em primeiro lugar, as plantas remanescentes da safra de inverno devem ser eliminadas. E as que surgirem no início da lavoura de soja também devem ser extintas por meio de catação ou aplicação de herbicidas, dependendo do nível de infestação.

''O produtor deve ficar atento. Se o controle for tardio, os produtos químicos, por exemplo, poder ser menos eficientes'', alerta o pesquisador. Além disso, plantas mais velhas têm o porte maior, o que dificulta a eliminação. Segundo o técnico, a planta deve ter no máximo 10 centímetros de altura.

De acordo com Adegas, as condições do clima no final do inverno contribuíram para a disseminação da buva. ''No ano passado, o controle não foi eficiente e ficaram plantas remanescentes'', explica. A ocorrência de chuva no mês de agosto - mês normalmente seco -, e temperatura mais elevada favoreceram a germinação de sementes. ''A buva tem mecanismos dispersantes, e se dissemina facilmente com o vento'', afirma Adegas.

O produtor de soja pode afastar o perigo da invasora com medidas simples. Além da vigilância para detectar o surgimento da planta e o controle químico, ele pode agir preventivamente. Manter o o solo com cobertura de inverno ou palhada evita a germinação da buva.

É justamente esta a estratégia do produtor Reginaldo Seigi Maeda, de Goioerê, para enfrentar a buva. Maeda soma conhecimento e experiência - ele é agrônomo - com a assessoria da Cooperatiuva Integrada para definir o sistema de controle. Ele explica que faz uma aplicação de glifosato seguida de uma de 2,4-D. Para garantir a eficiência, sete dias depois aplica Diuron mais Paraquat.

Maeda afirma que a observação da lavoura também é importante. ''Se sobrarem algumas invasoras, fazemos a catação manual'', explica. Para evitar o surgimento da planta daninha, o produtor também faz uso da rotação de culturas e de produtos químicos. ''A ocupação do espaço com aveia, trigo e milheto, por exemplo, impede a germinação da buva'', afirma.

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