Curitiba - Produtores de cogumelos tipo champignon de todo o Brasil têm participado de reuniões com representantes do poder público para debater um problema que tem tirado o sono de quem trabalha na área: a concorrência do produto chinês, que chega ao mercado a preços mais baixos. Os produtores reivindicam que o governo restabeleça a sobretaxa sobre o cogumelo asiático, taxação que deixou de vigorar no ano passado.
Segundo Gildo Saito, presidente da Associação dos Fungicultores do Alto Tietê (Afat), de São Paulo, aproximadamente 80% dos produtores de cogumelos do País estão estabelecidos em Mogi das Cruzes e região. Ele aponta que outras áreas de São Paulo, como Atibaia e São Roque, também são fortes nessa produção, assim como os Estados de Santa Catarina e Paraná. ''Há produção em regiões com clima favorável, principalmente serranas'', explica Saito.
O presidente da Afat cita que o Brasil produz cerca de 10 mil toneladas de cogumelo por ano, sendo que 80% dessa produção é de champignons. Os produtores se mobilizam pela volta da taxação sobre o produto chinês.
''Em 1997, ocorreu a primeira entrada do cogumelo chinês no mercado brasileiro. O preço caiu tanto que ficou praticamente inviável a produção nacional. Os produtores se mobilizaram. Entramos com um processo no Governo Federal e em 1998 passou a vigorar a taxação, que era de 1,04 dólar sobre o preço de cada quilo importado do cogumelo chinês. Ela teve validade por cinco anos e depois foi prorrogada até o final de 2008. Como a taxação poderia ser prorrogada apenas uma vez, nós tivemos que fazer outro diagnóstico da cadeia produtiva e enviar outra reivindicação ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)'', relata Saito.
Segundo o presidente da Afat, o MDA devolveu o processo com algumas ressalvas. Os produtores estão correndo atrás das adequações para reencaminhar a solicitação ao governo. De acordo com Saito, isso deve ocorrer até o final do mês.
''Ou nos mobilizamos, ou morremos'', diz o produtor Élder Rosário, da Ilha Verde Alimentos, empresa que produz cogumelos em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). O sócio dele, Luis Celso Possobon, cita que o Paraná produz cerca de 200 toneladas do produto por mês. Segundo Possobon, esta produção está concentrada em alguns municípios da RMC (São José dos Pinhais, Piraquara, Colombo, Lapa e Tijucas do Sul) e na região de Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa).
Élder Rosário aponta que apenas os custos de produção do cogumelo brasileiro representam um valor superior ao preço com que o produto chinês chega ao mercado. ''Aqui (na Ilha Verde), só de custos de produção, gastamos R$ 7,50 por quilo no caso do cogumelo pré-cozido e R$ 5 no produto in natura. O cogumelo chinês pré-cozido chega ao mercado com preço de R$ 4,90 por quilo'', explica o produtor.
Com a concorrência, os preços do cogumelo brasileiro estão despencando. ''No ano passado, você vendia por aproximadamente R$ 10 o quilo. Hoje, os distribuidores estão pagando R$ 7. Os restaurantes estavam pagando uma média de R$ 12. Hoje, está em R$ 8,50'', afirma Rosário.

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