"A Internet das Coisas torna possível monitorar e gerenciar operações a centenas de quilômetros de distância", explica a pesquisadora Luciana Alvim Santos Romani
"A Internet das Coisas torna possível monitorar e gerenciar operações a centenas de quilômetros de distância", explica a pesquisadora Luciana Alvim Santos Romani | Foto: Lilian Alves/Embrapa



Com sede em Campinas e um trabalho já de longa data com coleta, armazenamento, gestão e análise de dados de interesse da agricultura, a Embrapa Informática Agropecuária sabe bem quais são os desafios e as principais tendências da agricultura 4.0. Aliás, neste ano, durante a 25ª edição da Agrishow, realizada em Ribeirão Preto, a instituição de pesquisa apresentou em seu estande diversas tecnologias, apps e serviços que apoiam as atividades agrícolas.

De acordo com a pesquisadora e secretária do CTI (Comitê Técnico Interno) da instituição, Maria Angelica Leite, as tendências apontam que o setor agropecuário demandará novas soluções tecnológicas para gestão de dados, informações e conhecimentos em todas as etapas da cadeia produtiva, em uma nova infraestrutura onde os mundos físico e digital estão totalmente interconectados. "Atualmente, com a enorme quantidade de dados que vêm sendo gerados, sejam de clima, de solo, da produção agropecuária, além das imagens capturadas por drones e satélites, há a necessidade de uma infraestrutura computacional poderosa para que esses dados possam ser processados e analisados, retornando informações que possam ser utilizadas pelos produtores. Dessa forma a fazenda e sua produção poderão ser monitoradas com uma precisão muito maior, permitindo ganhos de produtividade com redução de custos".

A Embrapa Informática Agropecuária atualmente foca suas ações em tecnologias relacionadas com a Internet das Coisas (IoT, do inglês "Internet of Things"). A tecnologia pode ser aplicada em qualquer ferramenta ou processo em que há a possibilidade de levantamento de um dado (informação), por meio de um equipamento (sensores, satélite, drones, câmeras e outros), e envio desse dado por intermédio de um sistema de comunicação para um centro de armazenamento e processamento onde possa ser realizada uma análise no dado e a consequente emissão de um alerta, um diagnóstico, um monitoramento ou outra informação a partir da análise realizada.

"A Internet das Coisas torna possível monitorar e gerenciar operações a centenas de quilômetros de distância, rastrear bens que cruzam o oceano ou detectar a ocorrência de pragas ou doenças na plantação. Esta tecnologia permite conectar 'coisas' que podem, ativa ou passivamente, coletar, monitorar e trocar dados e informações, inclusive máquina a máquina (M2M), por meio de redes de comunicação com ou sem fio, sem a presença constante do ser humano", explica a pesquisadora e supervisora do SIPT (Setor de Gestão da Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia), Luciana Alvim Santos Romani.


Entre os principais desafios para a implantação da agricultura digital, a pesquisadora Maria Angelica cita a falta de capacitação da mão de obra no campo em operar e desenvolver soluções de IoT. "Alguns equipamentos de IoT são caros, sendo necessário o provimento de linhas de financiamento; necessidade de maior cooperação entre os setores público e privado no estabelecimento de políticas para o setor; problemas de conectividade no campo e nas propriedades rurais; necessidade de protocolos de padrões abertos para interoperabilidade dos dados e para comunicação entre os equipamentos e melhoria da precisão dos dados coletados, além do estabelecimento de uma política de propriedade desses dados", elenca.

Por fim, Luciana cita a projeção bilionária do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que estima que iniciativas que envolvem a tecnologia de IoT para a agricultura 4.0 podem alcançar, em seu potencial máximo, US$ 21 bilhões no setor rural até 2025. (V.L.)

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