Interesse pelo leite do Paraná
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de novembro de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Denúncias de adulteração e fraude em cooperativas de Minas Gerais abriram caminho para o leite paranaense. Apesar de não divulgar o montante vendido para laticínios de outros locais, o Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Paraná (Conseleite) aponta uma procura maior pelo produto paranaense. ''O produto inspira confiança'', diz Maria Sílvia Digiovani, assessora da entidade e da comissão técnica do leite da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Segundo a técnica, o produtor paranaense não chegou a sentir os reflexos da crise do leite UHT. A variação do preço registrada em outubro é consequência da entrada da safra. Em setembro, o produtor recebia entre R$ 0,70 e R$ 0,55 pelo litro do leite, valor que baixou para R$ 0,63 a R$ 0,49 em outubro. Esses valores são definidos pelo Conseleite como parâmetro aos produtores. Sílvia diz que a tendência é a estabilização dos preços no mês de novembro.
Fábio Peixoto Mezzadri, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), afirma que o aumento da oferta naturalmente interferiu nos preços. ''O fim da estiagem em meados de setembro e início de outubro regularizou a produção no estado'', afirma.
No varejo, a crise do leite provocou reação dos consumidores, que trocaram o leite longa vida pelo pasteurizado. ''Houve um ligeiro aumento na procura pelo leite de saquinho'', atesta a assessora do Conseleite. Mas como em outros momentos, a tendência é que haja uma acomodação e o mercado do leite longa vida se estabilize.
Para o técnico do Deral, o comportamento do mercado era esperado. ''As pessoas ficam receosas quando surgem notícias que colocam sob suspeita o que consomem'', diz Mezzadri. Levantamentos preliminares indicam uma diminuição na venda do UHT também no Paraná. ''Não houve qualquer problema com o produto no estado, que vem sendo monitorado. Mesmo assim, o consumidor se retrai'', afirma.


