Tendência mundial, a intercooperação no Paraná é histórica e, mais do que evocar o espírito solidário, princípio do cooperativismo, é uma estratégia para enfrentar a competitividade do mercado.
A intercooperação das cooperativas parananeses é representada por pequenas ações na própria cadeia produtiva, com a divisão de algumas responsabilidades, entre as quais o armazenamento e a transformação dos produtos.
''Esse sistema tem crescido e até evoluído, dependendo de alguns momentos e da própria economia. Às vezes, essa união acontece para enfrentar alguma dificuldade. Por exemplo, o preço baixo do trigo no mercado interno fez com que algumas cooperativas se unissem para exportar o produto, promovendo uma melhor remuneração aos cooperados. O preço acabou reagindo internamente'', lembra o gerente técnico e econômico da Ocepar, Flávio Turra.
A própria Ocepar favorece esse colaboração entre cooperativas, com projetos na área de produção de insumos para atender as demandas das associações.
''É um trabalho forte em que as cooperativas estão investindo na pesquisa. Através da Ocepar existe uma transferência de tecnologia, já que os técnicos participam de aperfeiçoamentos, levando os conhecimentos aos cooperados. Já obtivemos bons resultados'', avalia Turra.
Extrapolando os limites do Estado, a Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), com 3 mil associados e um faturamento de R$ 680 milhões, em 2005, investe na intercooperação com a Carpil, no Alagoas, o que lhe rendeu no ano passado o Prêmio OCB Cooperativa do Ano, promovido pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Com 70% das atividades ligadas à industrialização, a coooperativa iniciou a parceria com a associação nordestina em 2000.
A primeira ação da Coopavel foi o envio de técnicos para aquela região, promovendo reuniões com a cooperativa para a introdução de tecnologias, visando o desenvolvendo da bacia leiteira e a produção de milho. ''A produtividade aumentou de 25 sacas para 70 e até 90 sacas por hectare, com medidas simples, como a utilização da quantidade correta de sementes por cova'', cita. Tradicionalmente, aqueles produtores plantavam de cinco a 12 sementes por cova. No Paraná, por exemplo, a quantia usada é de apenas uma semente a cada 20 centímetros. ''Gastavam muita semente e o resultado era excesso de plantas fracas com produtividade reduzida'', diz.
O uso da tecnologia, além do aumento na produção do milho, os cooperados conseguiram ter uma melhor alimentação para o gado, que também já traz reflexos positivos. Hoje, os 280 produtores de leite atendidos pelo projeto aumentaram em três vezes a quantidade produzida por animal, que era de apenas 4 litros/dia. ''Os cooperados ainda não têm um laticínio, mas a melhoria na produção é um passo importante nessa direção'', ressalta o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.
Outro projeto levado pela cooperativa para os agricultores nordestinos é o ''Água Viva'', que ensina a proteger as nascentes. Esse projeto ambiental também está sendo introduzindo no Paraguai.

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