Imagem ilustrativa da imagem Integradoras aumentaram intervalo entre lotes
| Foto: Sindiavipar/Divulgação
Aumentar o intervalo entre as trocas de lotes de frangos nas propriedades integradas foi uma das estratégias das grandes empresas para enfrentar as oscilações do mercado no primeiro semestre deste 2018



Os avicultores do Norte do Estado confirmam que passaram por uma montanha-russa de emoções no primeiro semestre deste ano devido a fatores externos que impactaram diretamente na produção, como é o caso da greve dos caminhoneiros e o embargo de países da União Europeia ao produto alegando a presença de salmonella. Isso fez com que as grandes empresas exportadoras tivessem que segurar mais para trabalhar com os lotes nas propriedades, aumentando o intervalo entre um lote e outro. Esse vazio, que geralmente oscila entre 12 a 15 dias, em algumas propriedades chegou a um mês.

Maycon André Rossi é avicultor há 18 anos na região de Apucarana e trabalha com três aviários, sendo dois deles mais antigos e um construído há dois anos e meio, mais tecnológico, com paredes isotérmicas. A sua produção gira em torno de 64 mil aves por lote. "O processo de produção não tem se alterado muito, mas tivemos um vazio maior, que girou em torno de 20 dias. Agora no segundo semestre, esse intervalo já se normalizou novamente."

Rossi explica que a empresa na qual é integrado disse aos avicultores que o intervalo foi maior justamente para aumentar o controle sanitário nos aviários e assim evitar casos de salmonella. "A fiscalização deles está bem maior, cobrando mais em relação às instruções normativas da Adapar que temos de cumprir. Agora o lonamento da cama precisa acontecer num período de 24 horas e assim eliminar o cascudinho (inseto transmissor de diversas doenças e praga nos aviários)."

O avicultor relata que este ano teve altos e baixos, mas tem se mantido dentro dos padrões preconizados pela empresa. A dificuldade continua sendo com a mão de obra, energia elétrica e os canos que auxiliam no carregamento do lote, que agora são responsabilidade do produtor, no caso da integradora de Rossi. "O último aviário que fiz, o mais moderno, investi R$ 700 mil e ainda tenho sete anos de financiamento. Hoje, no cenário atual, não faria." Mesmo assim, ele acredita num segundo semestre mais promissor. "Se conseguirmos manter um padrão de qualidade e a oferta lá fora aumentar, vamos nos recuperar, mesmo que seja de forma mais lenta", avalia.

Outro avicultor da região - que preferiu não se identificar - relembra a questão da salmonela e a greve dos caminhoneiros neste ano. "Fiquei parado 30 dias e acabei tendo prejuízo."

Em relação aos valores recebidos, ele calcula que até aqui está ficando entre R$ 0,70 a R$ 0,80 por cabeça. "Já passei de tudo um pouco na atividade e tivemos anos muito ruins em 2012 e 2016, por exemplo. Ano passado foi muito bom para nós. Hoje está complicado, nenhum setor está ganhando dinheiro no País. Em nosso caso, enquanto um chora outro está dando risada. Enquanto o produtor de soja está chateado com o preço, nós estamos satisfeitos, e vice-versa. No Brasil, a gente não consegue fazer todos ganharem (ao mesmo tempo)." (V.L.)

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