Como acontece no setor de aves e suínos, a integração entre empresas processadoras e produtores pode ser uma ótima alternativa para que a ranicultura seja fomentada no Paraná. Em outros estados, como Santa Catarina, esse tipo de atividade já está mais difundido, a exemplo da avicultura paranaense.

Uma empresa importante neste segmento é a Ranac, localizada no litoral de Santa Catarina, a 35 quilômetros de Florianópolis. A empresa foi fundada há dez anos e nasceu com o objetivo de transformar a criação de rãs em um arranjo produtivo estruturado nos mesmos moldes da avicultura, com famílias de pequenos produtores rurais comprometidas com o negócio e com a qualidade dos produtos. Hoje, a empresa fomenta todo o processo produtivo da ranicultura de pescados com profissionais especializados em cada segmento do processo produtivo, atendendo inclusive os mercados dos Estados Unidos, Canadá, Europa, Oriente Médio, Mercosul e Ásia.

O bacana é que a empresa começa a prospectar produtores de outros estados. Aqui no Paraná está um deles, Delmar Stunn, de Vera Cruz do Oeste, na microrregião de Foz do Iguaçu. Há cinco anos, o produtor parou de trabalhar como motorista de caminhão e iniciou na agricultura, num sítio de 0,5 alqueire. Ciente que o espaço era pequeno para diversas atividades, ele pensou na ranicultura.

Stunn entrou em contato com a empresa em busca de matrizes e ao longo da conversa viu que poderia se tornar integrado. Pegou um financiamento de R$ 350 mil para construir um barracão e hoje tem capacidade para engordar de 90 a 100 mil animais. Hoje, ele engorda em torno de 3 mil a 5 mil rãs por mês, que chegam na propriedade de três a quatro meses. "Minha capacidade é de 8 mil a 10 mil animais por mês, mas ainda não há esta demanda", explica.

Hoje, o ranicultor recebe em torno de R$ 0,75 por animal acima de 240 gramas, ou seja, a renda dele varia de R$ 2.250 a R$ 3.750, com os custos de ração todos realizados pela empresa. "O que tenho que fazer é trocar a água dos animais duas vezes por dia e ficar atento com a alimentação deles. É um animal muito tranquilo de mexer e estou com boas expectativas para os próximos anos, com uma demanda maior da empresa. Nesta área pequena, não conseguiria uma rentabilidade desta com nenhum outro animal ou cultura", salienta. "Para pagar meu financiamento, preciso produzir hoje pelo menos 50 mil rãs por ano", complementa. (V.L.)

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