Um dos grandes desafios do agronegócio brasileiro é aumentar a produtividade sem necessariamente aumentar a área de produção. A integração entre lavoura e pecuária pode ser uma saída para o produtor rural que deseja expandir seu rendimento. O Multi Agro deste domingo (16) mostra o modelo adotado por uma propriedade em Sabáudia (Norte). Lá Edécio David Zerbetto, administrador da fazenda, faz a associação do cultivo de soja com a criação de gado.

Em 2005, quando a integração começou a ser feita na propriedade, Zerbetto plantava aveia no inverno para o gado e depois soja e milho para fazer a silagem. Atualmente, ele trabalha com capim rosiense e piatã na rotação. "Por ter uma pecuária de curta duração, que é a proposta da propriedade, essa integração ajuda muito, porque a gente antecipa bastante o abate. Hoje a média da propriedade está em dezoito meses de idade para as fêmeas", conta.

A fazenda que ele administra tem 70 alqueires. Desses, 25 são destinados para o cultivo da soja e a criação de gado. Os cochos dos animais são móveis, para que eles possam trocar de local de acordo com a rotação.

O agrônomo Jacson Bennemann acompanha a evolução da integração na fazenda desde que ela foi implementada. De acordo com ele, uma atividade complementa a outra. "Ele faz a reforma da pastagem com a cultura de soja. Então faz a adubação necessária para a cultura de soja e essa própria adubação que é realizada já serve depois como adubação da pastagem com o resíduo que sobra, o nitrogênio que a palhada de soja deixa."

Depois de feita a colheita da soja, a pastagem fica durante todo o inverno ou até dezoito meses. Em seguida, é feita a dessecação sem remoção do solo. Dentre as principais vantagens dessa atividade estão os níveis de produtividade alcançados. "Aqui a gente tem obtido bons resultados tanto na cultura da soja como também na produção de carnes. Esse tipo de rotação, saindo do esquema tradicional de sucessão de culturas, é o que a gente vê que traz mais benefícios para a produção", explica Bennemann.

Uma dica para quem quer iniciar na atividade é visitar outras fazendas para saber como os produtores estão se organizando e quais são os resultados obtidos. O investimento para o agricultor começar na pecuária será maior do que para o pecuarista que planeja iniciar uma lavoura. "O pecuarista, na verdade, já tem a parte da infraestrutura de mangueiras, cercas, que é fixa. Então seria mais a parte de fazer o plantio e o manejo da soja. E se ele não tiver condição de investir em maquinário, tem a opção de terceirizar esse serviço. Já o agricultor precisa investir em toda essa infraestrutura, o que é um pouco mais difícil".

O agrônomo salienta que o grande legado dessa atividade é a renovação de pastagem, a conservação de solos e os altos níveis de produtividade. O Multi Agro vai ao ar no próximo domingo às 8h na Multi TV (canal 20 e 520 da NET) com reprises diárias.

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