Integração como solução
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sexta-feira, 07 de julho de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A cevada é plantada no Paraná com um tipo de integração, pela qual o agricultor semeia a qualidade definida em contrato e sabe quanto receberá, de acordo com a qualidade de entrega. Uma solução apontada pelos analistas ouvidos pela FOLHA é justamente uma maior profissionalização da cadeia, com um relacionamento mais próximo que evite tanto preços altíssimos em época de escassez quanto prejuízos em períodos de supersafra.
Os cooperados paranaenses trabalham em um formato que se assemelha à integração, apesar de obedecerem preços de mercado. As associações do tipo que recebem trigo e que contam com moinhos e fábricas acabam por diminuir eventuais prejuízos, já que um maior lucro da indústria representa mais sobras para os agricultores no fim do ano. "Hoje temos um trigo melhor do que a Argentina, mas precisamos evoluir de forma a reduzir custos", sugere o gerente técnico e econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), Flávio Turra.
Ele conta que as cooperativas passaram a trabalhar para viabilizar a safra, com o consumo da produção e o processamento, de forma a garantir liquidez. Porém, não existe contrato de integração, muito mais pelo risco envolvido. "As primeiras cooperativas do entorno de Londrina eram tritícolas, então acreditamos no trigo como viável", conta.
PODE MELHORAR
O triticultor Aparecido Fávaro, de Londrina, afirma que poderia até aumentar a própria produtividade se tivesse incentivos. "Planto há 40 anos e minha lavoura vai cada vez melhor, mas o complicado continua a ser o mercado", conta o proprietário do Sítio Santo Antônio.
Ele trabalha em 145 hectares com os filhos, onde faz a rotação de soja e trigo, além de outros 15 hectares de café. Contudo, afirma que precisa economizar nos insumos, o que diminui a produtividade, porque os ganhos raramente compensam os gastos. "Não fazemos loucura e tivemos 82% de qualidade no ano passado."
Fávaro conta que chegou a vender a saca de trigo a R$ 45 há três anos, mas hoje tem dificuldade para conseguir R$ 39. Mesmo assim, diz que vai continuar. "É bom para cuidar do terreno e me deixa uma margem pequena. Poderia plantar milho, só que o preço não está bom também." (F.G.)


