Insumo básico para boa produção
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Silvana Leão 
Milton DoriaFórmula certeiraTsuioshi Yamada dá a receita da produtividade: adubação, boa semente e manejo adequadoA busca da agricultura sustentável, uma necessidade deste fim de século, fez com que a informação se tornasse insumo indispensável para qualquer cultura. Só com a atualização por parte do agricultor e incorporação de técnicas modernas de cultivo é possível atingir o tão desejado aumento de produtividade.
Baseados nesta filosofia, estão surgindo no Brasil o que já é muito comum nos Estados Unidos, os Clubes de Produtividade Máxima. Formados por no máximo 10 produtores voluntários e liderados por um agrônomo, estes grupos têm por objetivo avançar índices até então considerados intransponíveis, como a média de 120 sacas de soja por alqueire, ainda vista por muitos como o máximo em produtividade que a terra pode dar.
Desde o início deste ano, Clubes deste tipo já foram formados em Mauá da Serra (Norte do Paraná), Maracaju (MS), Tangará da Serra (MT), Ponta Porã (MS), Uberlândia (MG), Wenceslau Braz e Guarapuava (PR). O coordenador de todos eles, o engenheiro agrônomo Tsuioshi Yamada, professor do Departamento de Ciências do Solo da Faculdade de Agronomia Luis de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP), esclarece que a iniciativa não tem fins lucrativos.
CompetitividadeSeguindo a linha de trabalho da Potafos, uma associação americana para pesquisa de potassa e fosfato (da qual Yamada é diretor no Brasil), os Clubes de Produtividade pretendem, acima de tudo, manter os produtores tecnificados e competitivos. Com o fenômeno da globalização, nossos agricultores estão sendo obrigados a competir com países que contam com todo tipo de facilidades. Convivemos com regras seguidas no resto do mundo, mas aqui os encargos nos tiram a competitividade, diz Tsuioshi Yamada, relacionando ainda problemas graves do País, como os portos e os sistemas viários carentes de melhorias.
O agrônomo acredita, porém, que os problemas brasileiros são solúveis. Basta bom-senso e boa-vontade. Em se tratando de aumento de produtividade, ele cita o exemplo do Estado do Mato Grosso, onde recursos como genética e melhoria da fertilidade do solo estão fazendo a diferença. O produtor precisa, basicamente, de adubação balanceada, semente de qualidade e um bom manejo, resume.
Embora todos estes setores se encontrem bastante desenvolvidos hoje em dia, Yamada afirma que tem percebido falhas por parte dos produtores no que diz respeito à nutrição do solo. Nos últimos anos, os agricultores, de maneira geral, adotaram o sistema NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) para adubação, que são macronutrientes. Mas as análises de solo revelam que há carência também de micronutrientes, como o boro, e de outros macronutrientes, entre eles o enxofre.
Falta de produtosSegundo o agrônomo, atualmente quase não se usa mais o superfosfato simples nas fórmulas de alta concentração, que era o principal fornecedor de enxofre. Com isso, o solo tem ficado pobre em determinados nutrientes e as plantas, em muitos casos, não têm sido exploradas em todo o seu potencial. A indústria de adubos precisa perceber que existe uma carência no mercado de produtos mais balanceados. E o agricultor, por sua vez, deve se conscientizar que o aumento na produtividade tem um custo, argumenta Tsuioshi Yamada.
O agrônomo lembra também que o assunto adubação não é tão simples, e nem tem receitas prontas, como se fosse um bolo. Trata-se de um processo que, para surtir o efeito desejado, leva em média uns três anos.
Para exemplificar, ele cita o trabalho que pretende fazer na região de Mauá da Serra: além das análises de solo, deverão ser coletadas amostras foliares das principais culturas anuais na época de florescimento, para análise das condições de nutrição da planta. Com estes dados nas mãos, o produtor vai poder programar com maior segurança os investimentos em adubação nos anos subsequentes.


