Cascavel - O Instituto Maytenus de Desenvolvimento para a Agricultura Sustentável, sediado em Toledo, vem promove há três anos um trabalho junto à produtores da região Oeste do Paraná para desenvolvimento da agricultura orgânica. Entre as mais difundidas nos 18 municípios em que atua, estão os hortifrutis e a soja, com cerca de 1 mil hectares, na última safra.
Antes da Maytenus iniciar seu trabalho, a soja orgânica vinha sendo plantada na região Sudoeste do Estado, nos municípios de Capanema e Planalto. O método teve teve um impulso em Vera Cruz do Oeste (56 Km a oeste de Cascavel), hoje considerado o maior produtor do Paraná neste tipo de grão em sistema orgânico.
Já com o trabalho desenvolvido pelo instituto, um dos municípios que mais vêm se destacando na produção de soja orgânica é Palotina (96 Km ao norte de Cascavel) que colheu mais de 400 toneladas da cultura na safra de 2001/2002. Isso só foi possível depois que o Maytenus, através de uma parceria com o Sebrae, passou a promover cursos de capacitação em agricultura orgânica para produtores interessados.
O presidente do Maytenus, Moacir Kretzmann, explica que, a princípio, houve um certo temor de que a produção de soja orgânica não fosse bem aceita pelos produtores locais, devido à tradição de Palotina na produção convencional, em que é considerada um dos maiores produtores do país. ‘‘O mais difícil não foi convencê-los a participar do curso de capacitação; foi fazer com que eles entendessem os benefícios da agricultura orgânica à saúde ou mesmo financeiros’’.
Moacir observa que o primeiro passo para produção da soja orgânica é fazer a conversão da terra, que antes era acostumada com altas cargas de agrotóxicos. Segundo ele, o processo total de conversão pode durar até cinco anos, dependendo da quantidade de tempo em que foram utilizado defensivos nocivos à terra. Porém, o normal é que em três anos o solo esteja totalmente livre da presença de agroquímicos.
O presidente do instituto complementa que o fato de deixarem de utilizar produtos químicos no combate às pragas garante uma qualidade de vida muito melhor aos produtores. Ele observa que na produção da soja orgânica, todos os defensivos são retirados da própria propriedade, a partir de materiais encontrados na natureza.
Atualmente, 16 produtores de cereais, mais o Colégio Agrícola, se dedicam ao cultivo da soja orgânica em Palotina, que ainda atravessa o estágio de conversão do solo. Todos eles estão cadastrados no Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento (IBD), visando a certificação de produção de soja no sistema orgânico, o que certamente elevará os lucros. Um novo grupo com 60 produtores está sendo capacitado para iniciar o cultivo de soja orgânica já na próxima safra.
Moacir ressalta que a soja orgânica tem uma grande aceitação no mercado externo, onde a saca de 60 Kg pode ser vendida por até US$ 15 dólares. Já os preços atuais para a convencional não passam de US$ 9,5 dólares. Entretanto, ele ressalva que o mais importante é que os produtores tenham uma regularidade em sua produção para não deixar seus compradores desabastecidos. ‘‘A médio e curto prazo a demanda de orgânicos será bem maior no mercado, inclusive no interno’’, frisa.
O presidente da Associação dos Produtores de Soja Orgânica de Palotina, Lourival Gabriel, diz que todos aqueles que fizeram parte do primeiro grupo do programa estão bastante satisfeitos com o resultado da primeira produção. Segundo ele, o rendimento médio na safra de verão, foi de 121 sacas por alqueire. ‘‘E o melhor é que não precisamos mexer com agrotóxicos’’, completa.
Lourival diz que em sua propriedade, houve uma redução de 33% nos custos de produção em relação aos tempos em que era plantada a soja convencional. Ele observa que a partir do momento que a terra estiver totalmente ‘‘desintoxicada’’ os ganhos serão bem maiores. ‘‘Nosso objetivo é começar a exportar assim que recebermos a certificação’’, conclui.

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