Instituto defende pesquisa e opção por convencionais
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sábado, 27 de outubro de 2018
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 

Os avanços que a transgenia trouxe ao trabalho no Brasil são inegáveis até mesmo para o presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin. No entanto, o órgão fundado no ano passado pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho) de Mato Grosso e pela Embrapa defende o desenvolvimento de pesquisa sobre sementes convencionais, para que o produtor tenha opção de cultivo e possa adentrar nichos de mercado que vetam o uso de geneticamente modificados.
Dalcin afirma que os transgênicos facilitaram o trabalho no campo e deram escala à colheita nacional, o que permitiu ganhar posição de destaque no mercado mundial. "Tínhamos vários problemas com alguns tipos de ervas daninhas que eram bastante graves e a transgenia ajudou", diz. "Mas diminuiu o interesse de traders pela compra e no desenvolvimento de cultivares da soja tradicional pelas detentoras de tecnologia", completa.
Por isso, ele afirma que várias entidades trabalharam ao longo dos 20 anos de transgênicos no campo brasileiro para manter viva a cultura tradicional. O interesse se deve a prêmios que, segundo o presidente do instituto, chegaram a R$ 16 por saca na safra 2016/17 e que tem alta demanda, por exemplo, para a produção chilena de salmão, para a suinocultura alemã e para outros mercados europeus. "Chegamos a ter 18% da soja colhida no Mato Grosso como convencional e neste ano se reduziu a 12%, porque o prêmio está menor, em torno de R$ 10."
Representantes da entidade participarão de um workshop na Europa, para mostrar que os agricultores brasileiros podem oferecer um produto segregado e certificado. Assim, o presidente do instituto espera mais incentivo à pesquisa. "O que é bom nos transgênicos são as variedades desenvolvidas, que são mais modernas porque saíram do melhoramento agora. A transgenia é um acessório e se investissem em convencionais também, a produtividade seria a mesma", afirma Dalcin. (F.G.)


