Para o presidente-executivo da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, o poder Executivo brasileiro ainda não compreendeu a importância da agroindústria para a economia do País. ''A destinação de verba para a defesa sanitária e para o combate à clandestinidade é insuficiente. O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, mas não tem um volume de recursos compatível'', critica. Salazar explica que os frigoríficos que possuem inspeção federal seguem as normas estipuladas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e possuem um médico veterinário responsável pelo cumprimento das regras que garantem a sanidade e segurança do alimento.
Otávio Luiz Cavicchioli, veterinário responsável pela inspeção no KM3 Frigorífico, em Londrina, revela que nos últimos anos a incidência de doenças em bovinos diminuiu significativamente. ''Não é mais comum encontrarmos problemas durante a inspeção. O nível de doenças diminuiu muito com o trabalho dos produtores de cuidado com seu rebanho, até porque, em caso de eliminação de um animal, quem perde é o próprio pecuarista'', afirma.
Cavicchioli afirma que, apesar da obrigatoriedade de cumprimento das normas do Mapa nos frigoríficos, ainda é grande a preocupação com os abates clandestinos que ocorrem em pequenas cidades do interior do País. O abate feito sem inspeção e controle de doenças torna os consumidores suscetíveis à zoonoses como a cisticercose. O veterinário explica que as ações de inspeção no frigorífico começam com os animais ainda vivos, na qual é verificada a ocorrência de algum parasita, manchas, diarréia, sangramentos ou comportamento incomum do animal.
Em seguida, o animal permanece por 12 horas em jejum hídrico e, só então, segue para abate. Após a retirada do couro, funcionários treinados realizam inspeção dos órgãos das partes toráxica, abdominal e da cabeça do gado, verificando alterações no coração, pulmão, fígado, gânglios linfáticos, intestinos ou pâncreas. No mesmo momento, também é feito um exame de verminose. ''No caso de uma doença localizada, como uma pneumonia, é retirado apenas o pulmão do animal. Mas se for uma cisticercose, por exemplo, que afeta a carne do boi, toda a carcaça é eliminada'', esclarece.
No final da linha de produção, a carcaça recebe o carimbo que aprova o uso da carne para consumo. Na sequência, ela passa por lavagem e é enviada à câmara fria, onde recebe a etiqueta do Sistema de Inspeção Federal (SIF). Cavicchioli explica que o manual do Ministério da Agricultura só recebe alguma alteração quando surgem doenças novas, como foi no caso da ocorrência da Vaca Louca, que mesmo sem ter registro no Brasil, teve métodos de verificação incluídos no documento.(M.F.)

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