O projeto de inspeção periódica de pulverizadores desenvolvido pelo professor doutor Marco Antonio Gandolfo, das Faculdades Luiz Meneghel, de Bandeirantes, em parceria com o professor doutor Ulisses Rocha Antuniassi, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Botucatu, pode ser uma ferramenta importante na otimização do uso de defensivos e na redução do impacto ambiental das atividades agrícolas.
Numa inspeção típica, explica Gandolfo, os técnicos identificam vazamentos, mangueiras danificadas ou mal posicionadas, espaçamento incorreto entre bicos; mau estado de conservação do filtro de sucção e de linha, de antigotejadores e das pontas de pulverização, manômetros inadequados, não funcionais ou ausentes, partes móveis desprotegidas, erros em taxa de aplicação, dosagem do produto, uniformidade de distribuição da pulverização, entre outros problemas.
''Após cada inspeção, os responsáveis pela máquina recebem um laudo, um certificado de participação e um selo de conformidade do projeto, o qual é afixado no chassi da máquina'', assinala Gandolfo.
Segundo ele, empresas agroindustriais de grande porte já utilizam as inspeções periódicas como modelo de ação direcionado à qualidade ambiental. ''O objetivo é oferecer maior competitividade aos produtos destinados à exportação, com maior eficiência e menor custo na aplicação'', diz o professor, ressaltando que em pouco tempo a prática deverá ser adotada também em pequenas propriedades, ''pois pode ser grande aliada na sustentabilidade do setor'', acredita.
Ainda de acordo com Gandolfo, os resultados gerais do projeto mostram, até o momento, que todas as máquinas apresentam algum tipo de falha. ''Entretanto, muitos destes pulverizadores poderiam ser 'aprovados' para uso caso fossem submetidos a reparos simples'', ressalta o professor.
Como exemplo da magnitude do problema, Gandolfo cita os seguintes resultados: 54,9% dos pulverizadores apresentam vazamentos, 92,3% possuem problemas relacionados com o manômetro, falhas em pontas de pulverização ocorreram em 80,5% das máquinas inspecionadas e em cerca de 80% dos casos foram constatados erros na taxa de aplicação ou dosagem dos produtos, ''o que demonstra total despreparo dos operadores'', constata.
''Estes resultados indicam a necessidade urgente da aplicação de técnicas de melhor uso e manutenção nos pulverizadores'', completa Gandolfo, ressaltando que hoje, o projeto ainda funciona em caráter experimental. Para o professor, uma análise simples permite avaliar a contribuição destes problemas no aumento dos custos das aplicações, além de elevar também os riscos ambientais, ''que predispõem o meio à contaminações desnecessárias'', finaliza. (M.G.)

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