Inseto controla mosca-das-frutas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de dezembro de 1998
Agência Brasil 
O Diachasmimorpha longicaudata é o nome científico do inseto introduzido no Nordeste pela Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, sediada em Cruz das Almas, Bahia. A espécie, um parasitóide proveniente do Department of Plant Industry, da Flórica, EUA, foi introduzida em setembro de 1994 e desde então passou por um processo de adaptação.
Estamos acompanhando o comportamento e a adaptação do inseto nas áreas irrigadas da fruticultura na região do Vale do São Francisco, polarizada por Petrolina e Juazeiro, num projeto em parceria com empresas privadas, como a Valexport, e com apoio do programa CNPq-Bioex, informa o entomologista Rômulo da Silva Carvalho, pesquisador da Embrapa.
Custos menoresA produção de manga para exportação, no Vale do São Francisco, será a primeira beneficiada com o uso do parasitóide no controle da mosca-das-frutas. Ali a Valexport, que reúne mais de 400 produtores, e com cerca de 12 mil hectares plantados, já contabiliza uma diminuição significativa dos seus custos de produção. Para o primeiro ano de implantação do controle biológico, estamos esperando uma redução de cerca de 30% nos gastos com inseticidas, informa Daniel Reis, agrônomo e supervisor do monitoramento da mosca-das-frutas daquela associação de produtores.
Reis explica que a primeira consequência do uso do inseto nas plantações comerciais de grande porte é a baixa gradual de resíduos de agrotóxicos nos frutos. Essa baixa nos dará imediatamente um incremento nos preços de exportação, de 15 a 20%, prevê o agrônomo. Os frutos produzidos, graças ao uso do controle biológico, têm aumentado seu poder de competição da fruta brasileira, principalmente nos mercados norte-americano e europeu, onde as restrições quarentenárias são bastante rigorosas.
A idéia dos técnicos da Embrapa Mandioca e Fruticultura é viabilizar, numa próxima etapa do pleito, a multiplicação do inimigo natural nas propriedades dos próprios agricultores, liberando-os em locais e períodos estrategicamente estabelecidos. Naquela região do Recôncavo Baiano, os estudos sobre o estabelecimento e a multiplicação do D. longicaudata, em mosca-das-frutas, estão sendo realizados nos municípios de Conceição do Almeida e Cruz das Almas. As primeiras liberações de campo foram iniciadas em julho de 1995, na Estação de Fruticultura Tropical da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), em Conceição do Almeida.
Dez semanas depois das primeiras liberações, forma recuperados em campo os primeiros braconídeos exóticos em frutos de goiabeiras, relata Rômulo. Liberações semanais do parasitóide sucederam-se até agosto de 1996, sendo recuperados mais exemplares do inseto em frutos da goiaba, pitanga, carambola e manga, coletados na mesma safra. Quarenta e dois mil insetos foram liberados entre o período de julho de 1995 e abril de 1997. Em abril deste ano, um ano após suspensas as últimas liberações, foram recuperados nove espécimes do D. longicaudata, o que confirma o estabelecimento efetivo do parasitóide exótico.
DisseminaçãoCom o objetivo de garantir e ampliar a chance de sucesso no estabelecimento do inimigo natural no território brasileiro, a Embrapa, além de manter o parasitóide exótico em seu laboratório na Bahia, enviou o inseto para outros laboratórios interessados nos estudos desse organismo, como o da Empresa Estadual de Pesquisa Agrícola de Santa Catarina (Epagri), o da USP (Picacicaba) e o laboratório de Moscas-das-Frutas do Instituto de Biociências da USP, em São paulo.
Há de se ressaltar a importância desse tipo de pesquisa para o prodotur exportador e para o mercado interno, pela utilização dessa técnica, para reduzir as aplicações de inseticidas e dos níveis de resíduos de agrotóxicos nos frutos in natura. Este tipo de pesquisa e o reflexo dele poderá ser benéfico para a fruticultura nacional, em especial para o Nordeste, pois está sendo uma exigência crescente dos mercados consumidores, o que reflete nas exportções e na qualidade dos frutos disponibilizados para os consumidores dos mercados externo e interno, arumenta Carvalho.
Ovo na larvaSegundo o especialista Rômulo Carvalho, tudo começa no momento em que a larva da mosca se alimenta no interior do fruto, produzindo vibrações que são captadas pelas antenas altamente sensíveis das fêmeas do parasitóide D. longicaudata, que assim identifica a larva.
Em seguida, usando seu longo ovipositor, ela introduz seu ovo no corpo da larva da mosca. Ao final do ciclo reprodutivo das larvas, ao invés de emergir um inseto adulto de moca-das-frutas, nasce o parasitóide, que passa a se multiplicar constantemente, protegendo outros frutos infestados do pomar.


