O 17º Congresso Brasileiro de Entomologia, que terminou ontem no Rio de Janeiro, discutiu, entre outros insetos o gafanhoto e o prejuízo que pode causar na agricultura. Os ataques do inseto têm-se tornado cada vez mais frequentes e abrangentes em vários Estados brasileiros, inclusive na Região Centro-Oeste. A dieta alimentar do gafanhoto é variada e inclui desde gramíneas e pastagens - seus pratos prediletos - até roupas no varal, quando não encontram plantações para devorar.
‘‘Parceiro’’ indesejável do homem na busca de alimentos, o gafanhoto consome, por dia, o equivalente a seu peso, em massa verde. Uma nuvem de gafanhotos-praga, que pode pesar de 70 a 100 toneladas e medir 30 quilômetros de comprimento e dois quilômetros e meio de largura, em apenas um ataque, invadiu cerca de dois milhões de hectares de lavoura no Estado do Mato Grosso, no ano de 1992.
Na última década, têm ocorrido muitas infestações de gafanhotos em pelo menos sete Estados: Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rondônia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Regiões mais afetadasO inseto é citado no Velho Testamento como uma das dez pragas lançadas sobre o Egito para castigar o faraó, por não ter permitido que os judeus praticassem o êxodo e seguissem em direção à Terra Prometida. Hoje, passados mais de três mil anos, nem todos os avanços foram suficientes para conter e erradicar a praga, que continua sendo uma das piores ameaças às lavouras e plantações. As perdas somam milhões de dólares em alimentos e no combate ao inseto.
Vinte e três espécies de gafanhoto causam danos economicamente expressivos à agricultura brasileira. Três dessas espécies são as mais prejudiciais: Schistocerca pallens, no Nordeste e Distrito Federal; Stiphra robusta, também no Nordeste e Rhammatocerus schistocercoides, no Mato Grosso, Rondônia e Goiás.
No Sul do Brasil, nos anos de 1938, 1942 e 1946, infestações de Schistocerca cancellata causaram sérios prejuízos à produção agrícola, quando este gafanhoto, saindo da Argentina, migrou para o Sul e Centro-sul do Brasil, do Rio Grande do Sul a Minas Gerais.
Em 1969, registrou-se infestação de Rhammatocerus pictus na região sorocabana de São Paulo. De 1971 a 1974, o Dichropolus bergii e o Staurorhectus longicornis infestaram milharais e pastagens no Norte de Minas Gerais.
Em 1984, ocorreu a explosão populacional de gafanhotos da espécie Rhammatocerus schistocercoides que, saindo da reserva indígena Parecis-Nhambiquara, infestaram lavouras de cana-de-açúcar, arroz e pastagens.
Acredita-se que estas infestações estão relacionadas com fatores climáticos adversos, manejo de solo, com a introdução de novas culturas, além do abandono do cultivo de variedades tradicionalmente utilizadas pelos agricultores nestas regiões.
Hábitos e preferência Na Região Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso, os gafanhotos Rhammatocerus schistocercoides, na fase jovem, quando ainda não conseguem voar, reúnem-se em bandos compactos. Logo após o nascimento passam a se alimentar de gramíneas.
Depois, começam a se movimentar, aumentando o diâmetro da área ocupada pelo bando e, por serem muito gregários, a densidade populacional alcança até 500 insetos por metro quadrado na parte central do bando. À medida que os insetos crescem, a movimentação aumenta e os danos crescem na mesma proporção.
Quando se tornam adultos, geralmente nos meses de abril e maio, formam pequenas nuvens que se movimentam sem direção definida, entre a vegetação nativa e as culturas agrícolas, causando grandes danos sobretudo nas plantações de milho, arroz e cana-de-açúcar.
Depois, as nuvens começam a se mover numa direção definida, oeste-leste, de acordo com os ventos predominantes. Quando as nuvens chegam ao local de pouso, os gafanhotos separam-se em grupos menores, preparando-se para a postura e reprodução.
O Rhammatocerus schistocercoides ataca, em primeiro lugar, gramíneas nativas, seguindo-se a cultura do arroz - que é a mais visada pela praga. Em seguida, atacam a cana-de-açúcar, o milho, o sorgo, as pastagens, a soja e o feijão.
No Nordeste, as espécies mais conhecidas são a Schistocerca pallens e a Stiphra robusta, que ainda se encontram na fase solitária, mas já apresentando tendência à fase gregária, reunindo-se em bandos compactos, apresentando semelhança com nuvens.
Os gafanhotos dessas espécies alimentam-se de gramíneas nativas, como o timbete e o capim-milha, passando a danificar depois culturas de milho, feijão e algodão. Quando adultos, realizam vôos de dispersão e atacam as culturas e pastagens, causando grandes prejuízos.

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