Insegurança no campo une produtores
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sábado, 03 de dezembro de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem Local 
Casos como o do produtor Jorge Satoru Yamanaka, da região de Apucarana, que ficou horas, junto com sua família, sob a mira de uma quadrilha fortemente armada, não é um fato isolado. A violência no campo é algo que vem crescendo e tirando o sono dos produtores. Máquinas e defensivos agrícolas têm sido um dos principais alvos dos criminosos. Apesar de não haver números oficiais por parte das autoridades competentes, os registros de assaltos e roubos na zona rural vêm crescendo vertiginosamente. Para tentar colocar um basta nesta situação, o Sindicato Rural de Apucarana e produtores da região criaram o primeiro Conselho de Segurança Comunitário (Conseg), voltado exclusivamente para a zona rural.
O movimento, que já é uma realidade na zona urbana, é uma ação contra a violência que vem dado certo. Implantados principalmente em comunidades, bairros e condomínios fechados, o conselho visa orientar a população sobre como se prevenir da ação de criminosos e também como cobrar ações das autoridades competentes no combate ao crime. Agora, o órgão também pode ajudar a comunidade da zona rural.
Ainda em fase de estruturação, o Conseg rural de Apucarana já possui a lista dos membros, mas a definição dos nomes depende de análise da Secretaria de Segurança Pública. Renato Franciscon, já escolhido como presidente da organização, explica que a ideia surgiu durante reuniões e assembleias do sindicato com produtores da região que, de forma recorrente, reclamam da falta de segurança no meio rural.
Franciscon explica que o Conseg Rural deverá ser semelhante ao urbano. O foco do programa visa mobilizar a classe produtora, por meio de encontros periódicos, para discutir questões ligadas à segurança da região. ''Nestas reuniões, os produtores receberão orientações básicas de como se proteger da ações de criminosos''. Os participantes terão ainda o apoio de autoridades do setor de segurança, como as polícias Civil e Militar, que vão realizar palestras mensalmente de como aumentar a segurança da propriedade. Franciscon acredita que, com a mobilização, será possível diminuir os índices de roubos e assaltos em Apucarana.
Outra função do órgão voltado para a área rural é cobrar das autoridades mais segurança para os produtores. Inicialmente, afirma o Franciscon, o foco do Conseg é o combate a roubos e furtos. ''Ações simples, como a melhor interação entre a polícia e os produtores, já seria um bom começo''. Essa aproximação, segundo o presidente do Conseg Rural de Apucarana, vai permitir ao morador da zona rural ter um treinamento necessário para adoção de ações preventivas como, por exemplo, melhorar a comunicação entre vizinhos.
Jorge Nishikawa, um dos idealizadores do projeto e atual presidente do Sindicato Rural de Apucarana, acrescenta que o envolvimento do produtor é essencial para a perpetuação do Conseg. Ele afirma que sem o apoio de toda a comunidade rural é impossível obter sucesso.
''O objetivo do Conseg é mostrar ao produtor que ele tem responsabilidade na segurança de sua propriedade'', destaca Nishikawa. Com uma área que envolve 1,2 mil propriedades, o Conselho de Segurança Rural de Apucarana tem como foco principal atingir direta ou indiretamente todos os produtores que se sentirem inseguros em exercer a sua função. O primeiro Conseg Rural do Estado vai envolver, por enquanto, só o município de Apucarana.
Burocracia
Nishikawa reclama que a alta burocracia para a criação da organização ainda é o principal gargalo enfrentado pela diretoria do Conseg Rural de Apucarana. O presidente do sindicato rural enfatiza que há três meses vem batalhando junto à Secretaria de Segurança, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Sindicato Rural, além das polícias Civil e Militar para agilizar o processo de implantação do Conseg. Entretanto, Nishikawa afirma que mesmo com a demora, todas as entidades estão trabalhando para que o conselho inicie logo as suas atividades.


