A adoção de técnicas mais modernas de cultivo e melhora na irrigação impulsionaram a produção de cebola na região de Guarapuava, no Centro-sul. Na safra 24/25, foram 52 toneladas por hectare, enquanto a média estadual no período ficou entre 27 e 32 toneladas. Os dados foram fornecidos pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).

Para Dirlei Antonio Manfio, técnico do Deral, o maior nível de tecnificação nas plantações de cebola na área de Guarapuava explica a maior produtividade. “Na prática, a tecnificação engloba a semeadura direta, ou seja, em vez de plantar a cebola num canteiro e depois fazer o replantio das mudas, o produtor já planta a semente direto no campo. Destaque para a utilização de sementes peletizadas ou incrustadas, com um poder genético melhor. A semente peletizada [revestida por aditivos], por exemplo, tem uma proteção contra fungos e doenças durante a germinação.”

Outro aspecto que explica a alta produtividade é o investimento pesado em irrigação. “Para produzir, a cebola precisa de água. Não adianta plantar e esperar a chuva, o clima ser favorável. Precisa irrigar. Há produtores da região de Guarapuava que conseguiram até 70 toneladas de cebola por hectare na safra 24/25”, destaca.

Essa região compreende dez municípios – Guarapuava, Campina do Simão, Candói, Cantagalo, Foz do Jordão, Goioxim, Pinhão, Prudentópolis, Reserva do Iguaçu e Turvo. Juntos, eles concentraram 1,1 mil hectares plantados de cebola na safra 24/25. A predominância fica para o município de Guarapuava, com 560 hectares – pouco mais de 50% da área total. Ao todo, cerca de 50 produtores de cebola atuam nessa região.

TECNOLOGIA

Luciano Marcondes Almeida começou a plantar cebola há 12 anos em Guarapuava. De lá para cá, o uso da tecnologia fez dobrar a produtividade – de 30 no início da atividade para 60 toneladas por hectare na safra 24/25.

“As variedades e a genética melhoraram muito, temos híbridos adaptados à nossa região com grande potencial produtivo. Além disso, usamos sementes peletizadas e fazemos plantio a vácuo, com irrigação por aspersão”, enumera.

A tecnologia de plantio a vácuo é uma técnica usada para proporcionar uma distribuição uniforme das sementes no solo. Em vez de depender de sistemas mecânicos tradicionais, o vácuo cria uma pressão negativa que "chupa" as sementes para dentro dos dispositivos de plantio. Isso resulta em uma colocação mais precisa das sementes no solo, contribuindo para uma melhor germinação e para o crescimento das plantas. Já a irrigação por aspersão é uma forma de simular a chuva nas áreas de lavoura.

O produtor cita ainda o emprego de mão de obra qualificada em momentos pontuais. “Não podemos perder o timing da colheita porque isso pode comprometer a qualidade do produto.”

Sobre o preço da cebola da safra 24/25, o produtor diz que foi exatamente igual ao ano de 2013, quando começou a plantar cebola – nesse mesmo período, em contrapartida, o custo de produção mais que triplicou.

“A próxima safra deve ter melhor preço, temos pensamento positivo. Na safra passada todas as regiões colheram bem, o clima foi bom para Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Na próxima em algum lugar o clima não deverá ir tão bem, daí o preço melhora”, conclui.

PRELIMINARES

Dados preliminares do Deral indicam que, na safra 2024/25, a região de Guarapuava concentrou 34% da área plantada de cebola no estado.

“No entanto, quando se fala no volume produzido, a participação sobe para 46%”, pontua o técnico Dirlei Manfio. Do total de cebola produzido no estado (130 mil toneladas), cerca de 60 mil toneladas foram produzidas na região de Guarapuava.

A safra 24/25 foi de grande volume no Paraná e em outros estados. Com isso, o preço da saca para o produtor sofreu queda em comparação à safra anterior.

Segundo o Deral, na safra 23/24, o produtor paranaense recebeu, em média, R$ 54 pela saca de 20 kg. Na safra 24/25, o preço caiu 62%, chegando a R$ 21. Na região de Guarapuava, devido ao excesso de produção, teve produtor que recebeu ainda menos que a média.

“Com a frustração de preços que não pagaram os custos e falando com os produtores que plantaram e colheram, há uma perspectiva de redução de 20% a 25% da área plantada na região de Guarapuava na próxima safra”, conclui o técnico.

O plantio da próxima safra – 25/26 – deverá ocorrer entre maio e agosto, com maior concentração em junho e julho. A colheita está prevista para ocorrer entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.

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