Inovações fazem da Frankanna a melhor fazenda do Brasil
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sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Franke Dijkstra confessa: a busca por inovações é seu vício. Para melhorar a produtividade da Frankanna, sua fazenda situada no limite entre os municípios de Carambeí e Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, Dijkstra implantou uma série de novidades na propriedade. As inovações, que atingem também a preocupação com o meio ambiente e a relação com o quadro de funcionários, fizeram com que a Frankanna fosse considerada a melhor fazenda do País, título concedido pelo Anuário do Agronegócio da revista Exame. Humilde, o holandês que chegou ainda criança ao Brasil afirma que o título é um exagero. ''Não me acho melhor do que ninguém, apenas tentamos fazer o melhor para sobreviver'', declara. Uma visita à propriedade, no entanto, mostra que a constatação da revista não é tão exagerada assim.
Em 1958, Dijkstra comprou os primeiros 89 hectares da Frankanna, onde começou a plantar milho e a criar alguns porcos. Ao longo dos anos, adquiriu propriedades vizinhas, que fizeram com que a fazenda chegasse, hoje, à área total de 2 mil hectares. Atualmente, a Frankanna surpreende pela diversidade na produção. A fazenda utiliza 75% de sua área para produzir anualmente mais de 100 mil toneladas de grãos, incluindo soja, milho, cevada e trigo. No restante, investe na produção de suínos e gado leiteiro. Cada setor administrado como uma empresa e com suas inovações e peculiaridades.
Logo de cara, o que mais chama a atenção é o sistema de criação e ordenha das vacas, responsável por mais de 30% do faturamento da Frankanna, que anualmente beira os R$ 7 milhões. No total, a fazenda tem cerca de mil cabeças de gado. Dessas, 450 em plena produção, gerando atualmente entre 16 e 17 mil litros de leite por dia. ''Ainda em 2007 devemos chegar a 18 mil litros diários. Isso é superior à média européia'', garante Dijkstra.
Criadas de modo intensivo, as vacas são monitoradas dia e noite por câmeras de vídeos, instaladas há cerca de seis meses. Qualquer anormalidade, seja nos currais, seja nos tonéis de armazenamento do leite, é imediatamente detectada e corrigida. Softwares de computador também ajudam no tratamento das vacas. Em cada uma das três ordenhas diárias, por exemplo, é medida a produtividade dos animais. Caso qualquer um deles esteja dando menos leite do que o esperado, as vacas são examinadas por veterinários para verificar se há algum problema. Isso também possibilita que os animais sejam separados por grupos, com cada um recebendo um determinado tipo de alimentação, definido por especialistas.
O calor nos currais também é controlado por computadores. Termômetros e anemômetros medem a temperatura ambiente e a velocidade dos ventos. Quando necessário, o sistema aciona automaticamente ventiladores e mangueiras para refrescar os animais, já que temperaturas elevadas podem prejudicar a produção de leite.
Dijkstra afirma não ter como calcular o retorno obtido com os investimentos em tecnologia. Isso porque eles vêm ajudando na prevenção e não apenas na solução de problemas. Até mesmo possíveis sabotagens na produção do leite podem ser evitadas com o sistema. Mas garante que os resultados são positivos. ''A tecnologia está disponível e tem que ser aproveitada. Nem tudo pode ser feito pelo homem, às vezes é preciso a disciplina da informática'', afirma Franke Dijkstra, um idealista, como ele mesmo se classifica.
ALGUNS NÚMEROS DA FRANKANNA
Área total:
2 mil hectares (incluindo reserva legal e áreas de preservação permanente)
Área plantada:
1,5 mil hectares
Cabeças de gado:
cerca de 1 mil
Cabeças de gado em produção de leite:
450
Produção atual de leite: entre 16 e 17 mil
litros diários
Número de funcionários:
45


