Inovação facilita oferta de inseticida biológico
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
A produção em laboratório da lagarta da soja deverá ampliar a oferta do inseticida biológico Baculovírus anticarsia. A novidade, segundo o pesquisador da Embrapa Soja, Flávio Moscardi, responsável pelo trabalho, deve-se a uma inovação do método desenvolvido há mais de 20 anos. ''Criamos uma dieta artificial, de baixo custo, que permite o desenvolvimento da lagarta''. O trabalho é reconhecido como o maior programa mundial de uso de um vírus (entomopatógeno) contra uma única praga em uma cultura. Além do Brasil, o baculovírus é utilizado em outros países das Américas, como os Estados Unidos, México, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Desde 1986, produção do inseticida biológico é feito por empresas conveniadas com a Embrapa, com o uso de lagartas contaminadas coletadas nas lavouras de soja. Essa produção era dificultada pela pouca quantidade de lagarta/vírus disponível nas lavouras. Na última safra, o baculovírus foi usado em dois milhões de hectares, que corresponde a apenas 10% da área plantada do grão no País. ''A produção ficava de 20% a 30% abaixo da demanda'', afirma.
A pressão sofrida pelas empresas pelo aumento da produção do inseticida, de acordo com o pesquisador, estava provocando mais um problema: a queda na qualidade do material coletado no campo. ''O índice de eficácia do produto ficava reduzido, pois era baixo o nível de infestação das lagartas'', explica.
Moscardi conta que, há alguns anos, a pesquisa buscava condições para produção da lagarta/vírus em laboratório, tornando a técnica economicamente viável, reduzindo o custo da dieta artificial do inseto. ''Aperfeiçoamos a técnica, substituímos ingredientes e criamos meios de esterilização dos recipientes'', informa.
A produção comercial das lagartas em laboratório vem ocorrendo desde 2003. Em outubro do ano passado, a Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec), de Cascavel, inaugurou um laboratório para produção do inseticida em larga escala (veja box de matéria). A Embrapa Soja irá repassar a tecnologia para outras empresas conveniadas. Para isso, está finalizando a construção de um laboratório piloto de 100 m2.
Natureza agradece O uso do inseticida biológico, na avaliação de Flávio Moscardi, evitou que, pelo menos, 24 milhões de litros de venenos químicos fossem despejados na natureza. Além de não agredir o meio ambiente, o baculovírus tem um custo de aplicação 30% menor que o dos inseticidas químicos. Outra vantagem apontada pelo pesquisador é que, em 95% dos casos, basta uma única aplicação do veneno por safra, enquanto os químicos exigem em média duas aplicações. ''Num cálculo rápido, a economia é de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões por safra'', afirma.
A tecnologia do baculovírus está auxiliando também no desenvolvimento de métodos para o controle de outras pragas, como a lagarta falsa medideira. O sucesso do programa atraiu também a atenção de outros projetos de pesquisa no Brasil e no exterior. Moscardi está assessorando um programa de controle de uma praga do milho na Tanzânia, na África. ''Contribuímos pela melhoria da disponibilidade de alimentos em países pobres'', conclui.


