Cléber Soares, da Embrapa: “Não vamos mais falar em sacas por hectare, mas em tecnologias por hectare”
Cléber Soares, da Embrapa: “Não vamos mais falar em sacas por hectare, mas em tecnologias por hectare” | Foto: Divulgação/Embrapa

O conceito de inovação nunca esteve tão latente no segmento do agronegócio. As diferentes vertentes na aplicação de tecnologias são as mais amplas possíveis, desde novas cultivares para a safra até a ideia de agricultura 4.0 com gadgets específicos para análise de produtividade, entre outros índices agronômicos gerados na lavoura. Mas a ideia de inovação vai muito além de atender as grandes culturas do País como soja e milho.

Muitas tecnologias têm sido embarcadas nos mais variados dispositivos e até sistemas de produção ainda pouco explorados no território nacional. Na Folha Rural desta semana – aproveitando o 46º aniversário da Embrapa, empresa top 10 do Brasil na produção científica em 2018 - a reportagem foi em busca de invenções e criações de pesquisadores que estão além do mercado de grãos. Inovações curiosas que podem mudar o olhar sobre cadeias produtivas menores ou até esquecidas. A Embrapa, inclusive, é responsável por muitas delas.

De acordo com o balanço social da empresa divulgado nesta semana, para cada R$ 1 aplicado na Embrapa foram devolvidos R$ 12,6 para a sociedade em 2018, um lucro de R$ 43, 52 bilhões gerado a partir do impacto econômico no setor agropecuário de 165 tecnologias e cerca de 220 cultivares geradas pela pesquisa.

Em entrevista para a FOLHA, o diretor executivo de inovação e tecnologia da Embrapa, Cléber Soares, não titubeia em dizer que a inovação tem crescido entre os produtores rurais, mesmo que de forma heterogênea e dependendo de outros fatores, como tamanho da produção, região e recursos financeiros. “Minha visão é que cada vez mais teremos essa evolução massiva, é uma necessidade. Me arrisco a dizer que em breve as métricas do setor agropecuário vão mudar. Não vamos mais falar em sacas por hectare, por exemplo, mas em tecnologias por hectare”, projeta.

PARECE AUDACIOSO?

Bem, para Soares é mais do que plausível pensando num universo em que 91% dos produtores rurais brasileiros possuem celulares. “É algo que veio junto com as gerações mais jovens dentro da propriedade, que precisam se conectar e se informar. Em breve, teremos produtores dando aula de aplicativos que tratam de uso de defensivos biológicos na cultura do alface, por exemplo.”

Para isso, claro, a tecnologia precisa chegar ao produtor de forma muito clara, seja ela através de equipamentos, conhecimentos específicos ou técnicas para melhorar o sistema produtivo. Segundo o diretor da Embrapa, para isso a instituição precisa cada vez mais investir em inovação aberta – as famosas parcerias público-privadas – e também fazer uma transferência de tecnologia eficiente. “Hoje nossa média de captação de recursos nessas parcerias é por volta de R$ 100 milhões anuais. Também estamos fortalecendo nossas relações com assistência técnica e extensão rural e feito parceria com as principais instituições.”

Por fim, Soares cita o amplo leque de inovações que a Embrapa tem fomentado nos últimos anos para atender um público variado de produtores. “Hoje é praticamente impossível o cidadão brasileiro não consumir uma inovação da Embrapa. Estamos em 70% da cadeia produtiva do agronegócio. ”

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