A contaminação biológica, provocada pela ação de plantas exóticas invasoras, é, atualmente, a segunda maior ameaça à biodiversidade mundial, perdendo apenas para a destruição de habitats pela exploração humana direta.
Segundo a engenheira florestal Sílvia Ziller, representante do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, a contaminação acontece quando espécies que não fazem parte de um determinado ecossistema se dispersam, provocando mudanças e impedindo a recuperação natural do ambiente. ''Práticas erradas de manuseio dos ecossistemas, como a remoção de áreas florestais, queimadas anuais para preparo da terra, erosão e pressão excessiva de pastoreio contribuem para a perda de diversidade natural e fragilidade do meio a invasões'', ressalta.
Durante uma reunião com pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em janeiro, Silvia relembrou a forma como as espécies exóticas invasoras se disseminaram pelo mundo. De acordo com ela, as primeiras translocações de espécies de uma região a outra do planeta tiveram a intenção de suprir necessidades agrícolas, florestais e outras de uso direto. Em épocas mais recentes, o propósito da introdução de espécies voltou-se significativamente para o comércio de plantas ornamentais. ''O número de espécies que se tornaram invasoras com o passar do tempo é de quase a metade dos casos de introdução de plantas ornamentais registrados no mundo'', calcula Sílvia.
Um levantamento feito pelo Instituto Hórus, em parceria com organizações não governamentais (ONGs), universidades e órgãos públicos em todo o Brasil, iniciado em 2002, já contabilizou 167 tipos de espécies exóticas invasoras, mas Silvia acredita que este número pode chegar a 400 espécies.
Dentre as árvores já consagradas como invasoras no Brasil estão o Pinus, o Cinamomo, o Amarelinho, a Uva-do-japão, a Nêspera e o Alfeneiro. O Pinus é a espécie invasora mais comum no Sul. Só o Paraná tem oito áreas contaminadas. Silvia ressalta que o Pinus tem suas vantagens econômicas, mas é mal administrado. ''Para produzir pinus tem que ter controle. Ter que cercar as árvores e retirar as mudas que estão fora da propriedade'', sugere. Entre as plantas ornamentais amplamente estabelecidas no País estão a Maria-sem-vergonha e o Lírio-do-brejo. Já entre os animais, Sílvia cita a rã touro, o caramujo gigante africano e o javali.
A engenheira explica que o gênero Brachiaria, de capins introduzidos para pastagens, é dos mais problemáticos. Estima-se que dos 15 milhões de hectares de campos naturais do Brasil, 3 milhões estão sofrendo processo de invasão. Nos Estados do Sul, por exemplo, o Capim-anoni tem comprometido criações de gado, causando a perda da cobertura vegetal nativa, composta de gramíneas, leguminosas e outras plantas importantes para a alimentação dos animais. ''Já o Capim-gordura ameaça a diversidade natural do Cerrado''.
Sílvia lembra que as invasões podem alterar o ciclo das águas e o regime de incêndios, levando a uma seleção das espécies existentes e, de modo geral, ao empobrecimento dos ecossistemas. ''Essas alterações colocam em risco atividades econômicas ligadas ao uso de recursos naturais em ambientes estabilizados, gerando impactos economicamente negativos''.
A solução contra a contaminação passa por um processo de erradicação e controle biológico. De acordo com a engenheira, o ideal é que os profissionais façam um diagnóstico, reconhecendo as espécies que não são nativas da área, e as retirem. ''A esfera governamental também precisa se conscientizar e impedir a produção e venda dessas espécies invasoras'', diz.

Serviço
Alguns órgãos internacionais disponibilizam as listas com as espécies invasoras mais comuns e algumas medidas de combate. No site www.institutohorus.org.br há uma lista com as espécies já cadastradas no Brasil e outras informações. As descobertas de novas espécies podem ser comunicadas pelo e-mail [email protected]

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