O pesquisador Ademir Calegari mostra a mucuna-cinza, que tem crescimento agressivo e inibe a reprodução do nematóideCom o incentivo para a retomada da cafeicultura no Estado e com os bons preços do produto no mercado, muitos agricultores estão interessados em voltar a plantar café. Para quem quer começar ou continuar com café, uma das recomendações dos pesquisadores é o cuidado que os produtores devem ter, para evitar problemas com o nematóide.
Uma das principais ameaças ao sucesso das lavouras de café no Paraná é a presença do nematóide, um verme do solo que é invisível para o produtor, de difícil controle químico e que pode arrasar as lavouras. Normalmente, quando o cafeicultor percebe os sintomas pelas condições das folhas, a planta já está comprometida pela praga, e só resta arrancá-la.
Os pesquisadores Ademir Calegari e Alaíde Aparecida Krzyzanowski, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) estão trabalhando na identificação de plantas que possam inibir a multiplicação do verme no solo. Entres elas, estão a leucena, o amendoim, a mucuna, o guandu e a aveia branca (no inverno). Os pesquisadores ainda não sabem como isto acontece, mas o certo é que elas reduzem a presença do verme.
MultiplicidadeA nematologista Alaíde Krzyzanowski comenta que existem várias espécies de nematóides, que atingem quase todas as culturas
ManejoAs medidas que possibilitam êxito no combate ao nematóide são a rotação de culturas, cultivares resistentes, e os adubos verdes. Um conjunto de práticas que precisam ser adotadas pelo menos dois anos antes do plantio, se a área estiver contaminada pela praga. Solos ricos em matéria orgânica favorecem o desenvolvimento de organismos antagônicos ao nematóide.
Segundo o pesquisador do Iapar, Ademir Calegari, o produtor precisa usar toda a tecnologia à sua disposição, para alcançar bons resultados na sua atividade. E ‘‘tecnologia é muito mais que máquinas, sementes e defensivos’’, lembra Calegari. Tecnologia hoje é, principalmente, saber manter a saúde do solo, destaca.
Segundo a nematologista Alaíde, o nematóide está associado a solos degradados. Ela destaca que a análise nematológica é fundamental para identificar as espécies presentes e orientar o controle. ‘‘Os nematicidas, além de baixa eficiência no controle, são caros e excessivamente prejudiciais ao meio ambiente, pois esterilizam o solo, devendo ser evitados pelo produtor’’, alerta.
CaféOs fatores climáticos, como secas e geadas, são limitantes à cultura cafeeira, mas é preciso se preocupar com os aspectos fitossanitários, com destaque para o nematóide. O café atrai um grupo numeroso de espécies como as dos gêneros Meloidogyne, Pratylenchus, Helicotylenchus e Xiphinema. Estima-se que a redução da produção brasileira de café, devido à ação do nematóide, seja de 20%.
Mário CesarA praga ataca a planta pela raíz e é invisível a olho nu
O primeiro passo para quem quer plantar café é verificar a situação do solo. Se a área estiver infestada, é preciso cultivar durante dois anos alguns adubos verdes indicados. ‘‘Não adianta o produtor insistir em plantar numa área contaminada, e quem pensa que esperar dois anos é perder tempo, vai gastar com as mudas de café e vai ter que arrancar depois’’, alerta Alaíde.
Se a área não estiver infestada, deve-se evitar a introdução da praga. Escolher mudas sadias, de preferência produzidas em substrato esterilizado e por produtores idôneos. ‘‘O produtor pode observar que as mudas contaminadas têm as folhas encrespadas, e as raízes já mostram certo engrossamento, que é bem visível’’. É comum a contaminação de represas ou rios pela terra que é levada pelas chuvas nas regiões onde existe o problema. Esta água pode introduzir a praga em áreas ainda não infestadas. Se o produtor quer fazer sua própria muda, é bom lembrar que a melhor técnica é em tubetes, suspensos em estaleiros, para evitar o contato com o solo. A areia, normalmente retirada dos rios para fazer o substrato, deve ser esterilizada.
A técnica de plantio do café adensado é boa para controlar o nematóide, afirma Calegari. Depois das plantas crescidas, a cobertura do solo propicia o aumento da matéria orgânica e impede o crescimento das plantas daninhas, principais hospedeiras da praga. Mas no ínicio das lavouras, quando as plantas ainda são pequenas, os pesquisadores recomendam o plantio intercalado de adubos verdes. Torta de mamona para adubar o solo e o resíduo da água de lavagem da extração de farinha de mandioca, chamada ‘‘manipoeira’’, são excelentes controladores do nematóide.

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