Início da colheita anima produtores
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sábado, 21 de fevereiro de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Em janeiro do ano passado, a estiagem castigou as lavouras de soja e milho da primeira safra paranaense e causou quedas significativas de produtividade em diversas áreas do Estado. Na safra 2014/15, as altas temperaturas no mesmo período bem que tentaram surpreender o agricultor novamente, mas a produção respondeu de maneira positiva, deixando os agricultores satisfeitos com a safra de verão e bem otimistas com o que vem por aí na segunda safra.
O último levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), da segunda semana de fevereiro, estima que a primeira safra composta primordialmente de soja, milho e feijão deve fechar em 21,7 milhões de toneladas, um volume 5% maior que janeiro de 2014, quando foram colhidas 20,6 milhões de toneladas de grãos. Até o momento, o feijão é a cultura com maior velocidade de colheita e comercialização: 95% e 49%, respectivamente. No caso da soja, a colheita ultrapassa a marca de 12% e as vendas das sacas, o mesmo índice. Por fim, a colheita do milho está na casa dos 11% e a comercialização, 2%.
Apesar do calor, mais uma vez, ter impactado em regiões pontuais no momento do plantio, no geral o cenário é bom. Segundo o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni, "nos últimos três anos o Paraná produziu boas safras e o produtor conseguiu comercializar a produção por preços atraentes, situação diferente da atual conjuntura de mercado nacional e internacional para as principais commodities".
Tanto nos outros estados da região Sul, como no Brasil Central, havia uma preocupação que a estiagem atrapalhasse pela segunda safra seguida, mas a chuva acalmou os ânimos dos produtores. "A safra está bem interessante, tanto nos principais estados produtores de grãos do País, como também nos Estados Unidos e na Argentina", avalia o consultor da Scot Consultoria Rafael Ribeiro de Lima Filho.
Boa produção que já reflete na comercialização, bem mais lenta que o normal neste período. De acordo com dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a produção norte-americana de soja, por exemplo, deve fechar em 108 milhões de toneladas. A da Argentina entre 56 milhões e 57 milhões de toneladas e Brasil, 92 milhões de toneladas, de acordo com estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "Sem dúvida é um ano de grande oferta mundial. Com o cenário de preços baixistas, as vendas estão mais lentas e o produtor fica no aguardo de negociações mais interessantes no futuro", comenta o consultor.
No que diz respeito à rentabilidade da oleaginosa no campo, Lima Filho relata que ela está menor frente à safra passada, em torno de 3% a 4,5%. No caso do milho, o mercado nesta primeira safra acaba caminhando paralelamente, com estoques elevados e menor produção na temporada. "A colheita do grão se intensifica por todo este mês de fevereiro e, com um estoque de 15 milhões de toneladas, a pressão é de baixa. Agora temos um primeiro semestre com muita oferta de milho e talvez no segundo a cultura ganhe novo fôlego", finaliza.
Por fim, o volume total de grãos produzido no Paraná, se somada a safrinha de milho, soja e feijão da seca, deve ser de 32,3 milhões de toneladas, cerca de 3% inferior a esse período da safra passada.


