Iniciada nova fase do projeto genoma
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sábado, 03 de fevereiro de 2001
Cristina Côrtes De Londrina 
O estudo da análise funcional do gene da cana-de-açúcar é o objetivo principal da segunda fase do Projeto Genoma da Cana-de-Açúcar que está sendo iniciada este ano. Segundo o pesquisador Paulo Arruda, da Unicamp, coordenador geral do projeto, nesta nova fase queremos descobrir como iremos aplicar os genes identificados na primeira etapa, visando principalmente o aumento da produtividade da cana, comenta. Trata-se do maior projeto do mundo de sequenciamento de genes expressos de uma planta, segundo os pesquisadores.
A iniciativa privada financiará 50% do orçamento global do projeto que gastará aproximadamente US$ 4 milhões nos próximos quatro anos. A outra metade é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Serão desenvolvidas cerca de 20 linhas de pesquisa para melhorar geneticamente a cana. Entre elas a busca por uma planta mais resistente aos principais vírus, bactérias e fungos. Outras pesquisas pretendem adaptá-la ao clima frio do sul do País, enquanto outras vão ampliar sua resistência aos solos ácidos, com alta concentração de alumínio, típicos do Brasil.
EstímuloMais do que o recurso financeiro diretamente envolvido, Paulo Arruda destaca a participação do setor produtivo no projeto. Acho que é muito importante o envolvimento dos produtores num projeto deste porte e mostra o interesse e estímulo para o trabalho de pesquisa. O financiamento da pesquisa pela iniciativa privada é recente no Brasil, e segundo o pesquisador, o futuro vai depender deste apoio.
A conclusão da primeira fase do projeto, que identificou os mais de 80 mil genes expressos na planta, foi anunciada no início deste mês pelo governador Mário Covas, um ano antes da data prevista e com um custo equivalente à metade dos US$ 8 milhões orçados. O projeto inicial, proposto pela Copersucar, foi financiado em 95% pela Fapesp e envolveu aproximadamente 250 pesquisadores. Foi o primeiro projeto de sequenciamento genético do qual participaram, ao lado dos pesquisadores de São Paulo, cientistas de Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Rio Grande do Norte e Rio.
Segundo Arruda, além dos produtores associados à Copersucar (120) e ao Centro de Pesquisas da Cana (92) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCcar) - que já se comprometeram a financiar 50% dos US$ 4 milhões desta nova etapa que serão investidos no aumento da produtividade da cana, a indústria começa a interessar-se pelos projetos de transformação da cana em produtora de outras matérias-primas.
MultiaplicabilidadeHá projetos de pesquisa que apostam no aumento da expressão de alguns genes da cana, permitindo que eles sintetizem uma quantidade maior das proteínas que codificam, com o objetivo de transformar a planta em produtora de matéria-prima para o setor farmacêutico, para fabricação de drogas e suplementos nutricionais.
Descobrimos que a cana tem muitos genes em comum com várias plantas medicinais, genes que codificam substâncias com alto valor agregado, explicou Arruda. Um desses genes é o que codifica a trealose, um açúcar natural que é doce, mas não é absorvido pelo organismo, sendo não calórico.
Não se trata, em princípio, de produzir transgênicos, porque estamos lidando apenas com genes naturais de várias espécies de cana, explicou Paulo Arruda. A idéia é selecionar esses genes por meio de cruzamentos monitorados.
Estamos orgulhosos do trabalho, porque os EUA lançaram, na mesma época em que começamos o Genoma Cana, um programa de sequenciamento de várias plantas e nenhum de seus projetos produziu um volume de informações tão grande como o nosso, disse Arruda.


