Iniciada a temporada de oferta de touros
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sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
A oferta de machos para reprodução é intensificada a partir do segundo semestre, por causa da proximidade da estação de monta, que deve ser programada, segundo recomendação dos técnicos, a partir do próximo trimestre.
De setembro para frente cresce a oferta de reprodutores em leilões por todo o País, a forma mais comum hoje de comprar machos para serem usados na estação de monta. A grande maioria desses animais é vendida em leilões pelas associações de raças, pecuaristas especializados na oferta de machos reprodutores ou de programas independendes de melhoramento, que também fazem seus leilões nesta época do ano, como os da CFM, da Aliança/Paint, Gensys, Genoplus, USP de Ribeirão Preto (SP), entre outros.
Mesmo que a compra seja feita na propriedade, o conselho de técnicos e pesquisadores é para que o pecuarista tenha o maior número de informações sobre os animais que está comprando, a fim de garantir que o investimento poderá lhe dar retorno.
É época de agregar, cada vez mais, informações sobre os animais que são vendidos em leilões. Ofertar exame andrológico, avaliação genética, peso, taxa de crescimentos e dados da diferença esperada na progênie, ou seja, quanto de suas boas características o touro conseguiu imprimir nos seus filhos.
Importante observar também o que se chama de características fenotípicas como estrutura do animal, aprumos (como o animal se mantém em pé), conformação frigorífica (acabamento de carcaça), entre outros. ''Mas a segurança maior é a avaliação genética,'' avisa o pesquisador Antônio Rosa, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS).
Segundo Antônio Rosa não interessa apenas comprar animais que estejam dentro dos padrões da raça, avisa, mas que imprimam no rebanho ganho de peso e outras características de interesse econômico.
Outro alerta é que o pecuarista deve pensar também qual é o ambiente em que esse animal será colocado. ''Não adianta comprar um super reprodutor e não oferecer a ele as condições de desempenhar bem o seu papel.''
É preciso avaliar o sistema de produção e a disponibilidade de comida na fazenda.
Os técnicos avisam que na compra de reprodutores provados, procedentes de programas de melhoramento genético, a preocupação maior é usar touros melhoradores, que poderão trazer vantagens econômicas na precocidade sexual e de terminação de seus fihos, fazendo com que haja maior uniformidade no rebanho, com mais bezerros nascidos por ano e terminação em menor tempo.
Um macho inicia sua vida sexual e reprodutiva entre os dois e três anos de idade. Aos três anos está apto a entrar na estação de monta e terá que ''dar conta'' de cobrir, no mínimo, 30 vacas. ''O importante é fazer uma boa seleção, evitar animais aparentados, para não afetar o melhoramento genético do rebanho,'' avisa o superintendente técnico da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Luiz Antônio Josakian.
O técnico da ABCZ dá algumas dicas para a escolha de reprodutores, seja em
leilões ou direto nas propriedades. O pecuarista, segundo ele, deve comprar animais controlados, touros destacados em produtividade comprovada nos filhos, entre outros itens. Para a escolha de animais de origem européia o pecuarista deve usar os mesmos mecanismos de escolha, embora a diferenciação seja que neste setor a demanda maior acontece não para cobertura a campo, mas para a coleta de sêmen.
Qualquer que seja a raça, o pecuarista, lembra Josakian, deve exigir garantias de origem que as associações podem fornecer e escolher sempre os animais que melhor se adaptam à sua realidade, ou seja, tipo de comida que terá para fornecer, clima da região da propriedade, entre outros. Deve exigir também o exame andrológico do animal, para comprovar o nível de fertilidade. ''O custo do exame é de uma arroba, mais ou menos. Para quem vende um touro em média por R$ 4 mil nos leilões representa uma valorização de seu animal.''


