OPINIÃO
Informe-se e tome a decisão certa
Antonio Carlos Roessing (1)
Heveraldo Camargo Mello (2)
Produzir mais e melhor, para obter lucro, é um grande desafio para o produtor rural, que precisa sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo. Mais do que nunca o planejamento tornou-se essencial para a obtenção de maior rentabilidade e promoção do crescimento das empresas agropecuárias.
A decisão sobre o que plantar precisa estar muito bem definida no sistema de gestão da propriedade rural. Para isso o agricultor precisa estar bem informado sobre os fatores de risco, as flutuações da economia, as perspectivas de mercado e os custos de produção.
Ao fazer a opção pela cultura, o agricultor também deve observar as perspectivas de preço do produto e as necessidades do mercado. Para a safra de verão as alternativas são, principalmente, a soja, o milho, o algodão, o feijão e o arroz.
Na hora de fazer sua escolha, o produtor precisa de um insumo muito importante: a informação. Na era da abertura dos mercados o conhecimento ajuda no planejamento das atividades e resulta na adequada tomada de decisões.
O produtor rural deve avaliar o consumo interno, se a sua produção for destinada para atender o mercado brasileiro. Por outro lado, aqueles que pensam em exportar, necessitam conhecer as perspectivas do mercado mundial.
Muitas vezes o agricultor não consegue ter a dimensão exata do mercado em que atua, mas essa visão pode ser obtida por intermédio da assistência técnica, das cooperativas, de empresas de pesquisa e de assessorias particulares.
Ao investir na produção, o agricultor deve considerar os recursos necessários para produzir e todas as despesas administrativas e pessoais, que não advêm diretamente da produção. Com isso é possível verificar as perspectivas de rentabilidade e assim avaliar se os objetivos almejados serão alcançados.
Mas, afinal, o que o produtor deveria plantar hoje? Seu raciocínio deve seguir a lógica dos preços. Para exemplificar, considerem-se as culturas da soja e do milho, que são complementares para atender o mercado de ração, principalmente, de suínos e aves.
Historicamente os preços pagos pela saca de soja são superiores aos valores pagos pela saca de milho. No entanto, se no momento do plantio o preço da soja se aproxima ou ultrapassa o dobro da saca de milho, a opção pelo plantio de milho é conveniente. Por que? Porque é fácil observar, historicamente, que quando essa relação está acima de dois, na comercialização da safra futura, os preços da soja irão cair e os do milho vão cair bem menos ou se manter no mesmo nível ou até subirão. O produtor deve seguir uma lógica inversa ao pensamento da grande maioria e optar pela cultura que tenha menor preço no momento do plantio, logicamente conhecendo alguns indicadores econômicos importantes.
Geralmente o produto que tem melhor preço, no hora do plantio, acaba atraindo muito a atenção do produtor e isso vai provocar uma superoferta no futuro. É a velha lei da oferta e da procura ditando os preços no mercado. Por isso, nesse momento em que o preço da saca da soja está baixo, é que o produtor deve fazer a opção pelo cultivo da soja.
Na verdade, o último relatório de Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indica uma redução de 2,2 milhões de toneladas na produção daquele país, passando de 75,6 milhões de toneladas para 73,4 milhões de toneladas. Esse fato interfere nos preços, empurrando-os para cima, uma vez que os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de soja.
O Brasil tem tradição no mercado de soja e, apesar do preço estar, mesmo depois da reação positiva, abaixo da média histórica que gira em torno de US$ 220,00 a tonelada, a soja ainda é a melhor opção. No mercado internacional não existe perspectiva de queda e sim de crescimento médio de 2%. Além disso, o produtor brasileiro tem infra-estrutura para produzir soja e para escoar sua produção. A soja ainda é moeda e isso é importante na hora de tomar uma decisão sobre plantio.
Os autores são: (1) - engenheiro-agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja; (2) - economista da Embrapa Soja.

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