Inflação na porta da horta
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sexta-feira, 13 de junho de 2008
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
As hortaliças são mais um item na lista de alimentos que mexeu no bolso dos consumidores. O reajuste nos preços pagos por alguns produtos, como a vagem, atingiu índices alarmantes no mês passado. ''A caixa de vagem chegou a ser vendida a R$ 200'', afirma Luís Conegundes Bortolassi, presidente da Associação dos Produtores de Hortaliças do Norte do Paraná (Apronor).
Para as causas do aumento nos preços das hortaliças Bortolassi cita a ''escassez momentânea'' de alguns produtos. ''Há hortaliças de consumo constante, como a vagem, que não podem faltar. Como a oferta no período era menor o preço disparou'', justifica.
Mas o principal fator do aumento das hortaliças, destaca o presidente da Apronor, é o aumento nos insumos. ''No ano passado a tonelada da uréia custava R$ 900 hoje estamos pagando até R$ 1.800. Qualquer tipo de adubo teve reajustes médios entre 70% a 80%. Não temos como arcar sozinhos com estes custos'', diz.
A atual época de produção, segundo Bortolassi, é a mais favorável para as hortaliças. Alface, repolho, couve-flor, por exemplo, aumentam significativamente a oferta, além da qualidade e, com isso, os preços já apresentam retração. Mas o clima frio dificulta também o cultivo de outras hortaliças, entre elas a vagem, o tomate e o pepino, que exigem produção em estufas. ''Por estes produtos o consumidor com certeza vai pagar um pouco mais caro'', avisa. Sem o risco de novos sustos, o presidente da Apronor avisa que esta semana a caixa da vagem variou entre R$ 25,00 e R$ 35,00.
O gerente das Centrais de Abastecimento (Ceasa), de Londrina, Ismael Fonseca culpa a alta das hortaliças principalmente à divulgação mundial da crise dos alimentos. Segundo ele, reações imediatas nos preços, na maioria das vezes, é provocada por intempéries climáticas, o que não ocorreu neste período. ''Tem muita especulação nessa elevação de preços'', avalia. Fonseca lembra casos isolados, como a chuva de granizos registrada em algumas regiões do estado, mas muito localizados e sem grandes prejuízos.
Na lista dos produtos que sofreram alterações, os principais, segundo o gerente da Ceasa de Londrina, estão o cará e a uva niágara reajustados na última semana em 20% e 24% respectivamente. ''Não há cultivo destes produtos na região nesta época do ano. O que se encontra são os que vêm de outros estados, e consequentemente chegam mais caros'', justifica.
No cenário atual, o produtor, para Fonseca, não é o vilão dos preços mas sim um dos mais explorados. ''Os que conseguem vender diretamente para empresas ou mercados conseguem ganhar um pouco mais. Mas há aqueles pequenos, sem volume de produção que dependem de intermediários''. Como exemplo ele cita a oferta de laranja pêra, esta semana, em uma rede de supermercados de Londrina a pouco mais de R$ 0,40 o quilo. ''Para o consumidor é um preço execelente já para o produtor é impossível sustentar esse valor'', conclui.


