Se por um lado é interessante para o produtor ver seu produto valendo mais, por outro, surgem dificuldades relacionadas ao destaque que a cultura ganha, inflacionando tudo que está relacionado a ela. Na região Noroeste do Paraná, por exemplo, onde a área de plantio chega a quase 100 mil hectares (ha) nesta safra 2013/14, o preço para o arrendamento de terras disparou.
Segundo dados do engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Paranavaí Valter Martins Pessoa, um hectare de terra está sendo arrendado na região por R$ 6 mil a R$ 7 mil. Antes desse "boom" da mandioca, há duas safras, era possível encontrar a mesma área de arrendamento por R$ 4 mil.
"Essa elevação do preço da terra está gerando um movimento curioso: os produtores paranaenses estão indo arrendar terras para plantio da cultura nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Lá eles encontram o mesmo hectare por R$ 2 mil a R$ 3 mil", ressalta Pessoa.
O técnico comenta ainda que desde o ano passado "muitos aventureiros" vão até a Emater para pedir orientação técnica e iniciar o plantio. "Quem plantar agora, eu acredito que ainda vai pegar um preço bom. Mas quem plantou há um ou dois anos está realmente muito bem, já que neste momento os patamares do preço da tonelada estão muito elevados", complementa.
O aquecimento da cultura está gerando outros problemas, como a falta de material para plantio (maniva ou rama da mandioca). "Tem muito aventureiro pegando manivas de lavouras doentes para plantar. O problema é que o produto vai ficar de baixa qualidade e eles não vão conseguir os preços desejados. Outra questão é que esse pessoal não quer investir na adubação e trato do solo de terras arrendadas, que não são deles, o que também atrapalha o desenvolvimento da cultura."
É bom lembrar também que o custo de produção sofreu elevação nesse tempo de inflacionamento. Segundo o especialista da Emater, atualmente, o custo deve girar em torno de 40%, já calculados os valores atuais de arrendamento. "Como o ciclo da mandioca varia entre oito meses e um ano e meio, o produtor pode se dar ao luxo de deixar o produto na terra até que os preços estejam realmente bons para a colheita. Ele não precisa deixá-lo alocado em armazéns, por exemplo."
Entre os pontos positivos para quem cultiva a mandioca está a produção relativamente elevada num espaço pequeno. A cultura também não exige muita tecnologia, nem investimentos em sementes de alta eficiência, como acontece com a soja e o milho. Já os pontos negativos, de acordo com Pessoa, são o baixo investimento em pesquisa e a existência de poucos produtos agrícolas direcionados para a atividade. "O pessoal acaba utilizando herbicidas e inseticidas de outras culturas para controlar as pragas da mandioca na lavoura", complementa ele. (V.L.)

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