Inflação agropecuária desacelera no atacado
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Fernanda Nunes <br> <br> Agência Estado 
Rio - A inflação agropecuária perdeu força no atacado. Os preços dos produtos agrícolas atacadistas avançaram 0,53% em outubro, o que representa uma desaceleração em comparação com a alta de 3,83% apurada em setembro, no âmbito do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10). A informação foi divulgada essa semana pela Fundação Getúlio Vargas, que divulgou ainda que os preços dos produtos industriais no atacado também desaceleraram, com alta de 0,34% neste mês, inferior à elevação de 0,46% em setembro.
Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais subiram 0,60% em outubro, em comparação com a alta de 0,86% em setembro. Por sua vez, os preços dos bens intermediários tiveram aumento de 0,67% este mês, após avançar 0,75% em setembro. Já os preços das matérias-primas brutas apresentaram taxa negativa de 0,16% em outubro, após subirem 2,82% em setembro.
Soja e derivados
Mais da metade - ou 52% - da contribuição para a desaceleração da inflação no atacado, em outubro, partiu da soja, demonstra o IGP-10. Se considerado o grupo de produtos derivados da soja e a matéria-prima bruta, a contribuição para a desaceleração no atacado chega a 68%. O complexo de produtos da soja inclui farelo, óleo bruto e óleo refinado.
A previsão do economista Salomão Quadros, da FGV, é que os preços da soja e dos seus derivados continuem desacelerando, o que terá reflexo nos índices de preços ao longo do mês. Com isso, a inflação geral para os demais indicadores calculados pela FGV - IGP-M e IGP-DI - é projetada para o mesmo patamar do IGP-10, de 0,40%.
O IGP-10 de outubro captou que a variação do grão de soja no atacado foi de -2,52%, ante +5,46% em setembro. A variação de preços do farelo passou de +3,78% para -3,68%; a do óleo de soja bruto, de +0,55% para -3,62%; e a do óleo refinado de soja, de +4,29% para +3,38%. Os dois primeiros produtos têm impacto na taxa dos materiais e componentes para manufatura (de 0,89% para 0,55%), incluídos no grupo de bens intermediários. E o óleo de soja refinado está incluído nos bens finais (de 0,86% para 0,60%).
Já o milho respondeu por 29% da variação do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) de outubro, com variação de -4,93%. Mas a desaceleração do indicador do atacado contou também com outras pequenas contribuições, destacou Quadros. São exemplos os preços das aves (de 11,92% para 3,52%) e dos suínos (de 21,49% para -1,01%). ''As aves e os suínos já haviam subido muito e agora estão devolvendo as altas.''
Na categoria de bens finais, a contribuição para a desaceleração da inflação no atacado partiu, principalmente, do grupo Alimentação (de 2,00% para 1,42%), em decorrência da variação de preços do tomate (-6,89% para -33,54%). Entre os alimentos processados, contudo, não houve perda de ritmo. Neste caso, a inflação avançou de 2,35% para 2,73%, influenciada pela carne bovina (de 1,50% para 7,48%). ''Acho que a variação de preço da carne vai perder força ao longo de outubro. Em algum IGP deste mês, a taxa será menor. Ela subiu muito rápido e a tendência é que comece a acomodar agora'', afirmou Quadros.


