Com a globalização da economia e acesso facilitado aos mercados de várias partes do mundo, as pragas e doenças na Agricultura estão proliferando com mais facilidade. A disseminação é favorecida pela elevação do trânsito de pessoas e do fluxo de visitas a feiras e propriedades em outros países. Esses visitantes transportam as pragas em roupas, sapatos e até em amostras de plantas que trazem na bagagem.
O Ministério da Agricultura constatou que nos últimos ano novas pragas estão entrando no Brasil e se alastram rapidamente para vários Estados. A maior preocupação é com a infestação da mosca-branca, um inseto bastante resistente que ataca todos os tipos de lavouras.
Nematóide e minadoraNo Paraná são várias as pragas oriundas de outros Estados, cuja infestação é recente. Uma praga ainda desconhecida de grande parte dos agricutores, mas que pode provocar graves prejuízos econômicos, é o nematóide do cisto da soja. A praga já infestou lavouras, na região Norte do Paraná, nos municípios de Sertanópolis, Leópolis e Sertaneja, informou o pesquisador da Embrapa, João Flávio Veloso Silva.
Os nematóides são vermes que se hospedam nas raízes das plantas, dificultando a absorção de água e nutrientes. Além disso, injetam uma toxina na planta e isto reduz gradativamente a produtividade, até provocar a morte da planta. O pesquisador da Embrapa disse que a praga deve ter entrado no Paraná via São Paulo. No País a infestação é mais grave nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e agora Paraná. Segundo Veloso, na região do Cerrado os prejuízos são acentuados.
Outra praga, cuja infestação também é recente no Paraná, é a larva minadora dos citros, que ataca as brotações novas das plantas cítricas. A larva ataca o miolo da folha, também provocando a redução de produtividade da planta. A suspeita é que essa praga também seja oriunda de São Paulo, através do comércio clandestino de mudas.
Na Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a preocupação é induzir o produtor a cumprir as normas da lei estadual de Defesa Sanitária Vegetal. O Departamento de Fiscalização pretende intensificar a vigilância nas áreas próximas à infestação dos insetos e quem for flagrado em trânsito com produtos, mudas ou sementes sem documentação, poderá ser multado, informou Hamilton Antonio Keller, chefe da Vigilância Fitossanitária da Seab.
O Ministério da Agricultura está liberando R$2,5 milhões para combater a mosca-branca, que já provocou prejuízos avaliados em R$500 milhões. Segundo o chefe da Divisão de Vigilância e Controle de Pragas, Odilson Ribeiro, atualmente existem no Brasil 10 programas oficiais de controle de pragas, em ação, e o Ministério pretende divulgar um manual para orientar os produtores na prevenção e controle de pragas.

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