Indústrias não devem especular com o trigo
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sexta-feira, 23 de agosto de 2002
Reportagem local 
As indústrias não vão poder especular em cima da escassez do trigo; não há limite de oferta que justifique alta dos derivados. Quem garante é o ministro Pratini, da Agricultura. O abastecimento será normal, segundo ele. O governo brasileiro já está negociando com o governo argentino a retirada da tarifa de 20% sobre as suas exportações de trigo e da farinha.
''Vamos colher em 2002/03 a maior safra de trigo dos últimos 14 anos'', disse o ministro. A produção de 3,9 mihões de t do produto representa um aumento de 700 mil t em relação ao período 2001/02, quando alcançou 3,2 mihões de t.
A produção nacional de 3,9 milhões de toneladas, atenderá 37,9% do consumo do país, estimado em 10,3 milhões de t. Com isso, o Brasil precisará importar 6,4 milhões de t.
Segundo Pratini, o Brasil quer assegurar a compra de trigo argentino a um preço que não prvoque uma alta da farinha no mercado interno.
Lucro no campo - Mas o mais importante é o trabalho que vem sendo feito junto à indústria para assegurar aumento da rentabilidade do triticultor. Pratini voltou a falar sobre incentivo à produção brasileira. A meta é elevar a produção de trigo a pelo menos 50% do consumo nacional, o que representaria hoje cerca de 5,15 milhões de t. Por isso, o Ministério da Agricultura vem promovendo reuniões entre produtores e a indústria para estabelecer regras visando essa meta.
Mas, esta semana, ao mesmo tempo em que o ministro alertava contra a especulação, o preço do trigo aumentava no mercado internacional por conta da redução da oferta mundial.
A queda na oferta mundial de trigo continua puxando os preços para cima no mercado interno, lembrou quarta-feira o cerealista José Pitoli, de Cornélio Procópio. Em entrevista à Agência Folha, ele deu o exemplo do dia: o primeiro contrato de trigo era negociado a 271,75 centavos de dólar na Bolsa de Chicago há quatro meses. Hoje estava a 338,75 centavos - alta acumulada de 25%.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural e acompanhamento diário do boletim Sima/Deral, o mercado interno tem acompanhado a evolução dos preços internacionais. Na segunda quinzena de abril, a tonelada custava R$ 325. Mas, esta semana está a R$ 470, uma alta de 45%. Na Argentina, onde os produtores retiveram o produto devido à desvalorização do peso, a tonelada subiu de US$ 129 para US$ 183 (mais 42%) no período.
A evolução dos preços do trigo tem proporcionado a certeza de que o produto nacional será bem valorizado. ''Talvez a produção brasileira alcance nos próximos três anos seus melhores preços desde que o trigo se expandiu no Paraná e Rio Grande do Sul, quase 30 anos atrás'' - previu esta semana o executivo de uma indústria moageira, acima de qualquer suspeita.


