Indústrias incentivam mamona
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sexta-feira, 04 de novembro de 2005
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
®MDNM¯ A mamona voltou a ganhar espaço e mercado no Paraná. O baixo custo de produção aliado à rentabilidade da cultura têm atraído produtores para o cultivo da baga, destinada à fabricação de óleo nobre, utilizado desde a indústria de cosméticos até aeronáutica. Abandonada pelos paranaenses na década de 1980 por falta de incentivo e tecnologia, a mamona ganha novas áreas no Estado, impulsionada principalmente pela onda do biodiesel.
Há mais de 40 anos no mercado, a indústria A.Azevedo, de Itupeva, interior de São Paulo, tem incentivado o plantio de mamona no Paraná desde 2000, quando instalou um escritório de representação em Londrina. Com o apoio da Emater, os produtores garantem o abastecimento da indústria que, por sua vez, assegura preço mínimo para a compra da matéria-prima.
Segundo Antônio Nésio, representante da empresa paulista, o produtor tem recebido até R$ 40 líquidos/saca, mas a mamona já chegou a ser comercializada a R$ 60/saca. Para ele, o mercado atual é comprador e permanecerá assim por, no mínimo, mais 10 anos. ''Hoje, as 14 indústrias brasileiras têm capacidade para esmagar até 500 mil toneladas de mamona, enquanto a produção nacional não ultrapassa 150 mil toneladas'', calcula.
Além de garantir a compra da produção, a empresa paulista vende as sementes a preço de custo e fornece um manual de boas práticas agrícolas para o cultivo da mamona. O beneficiamento da mamona também fica por conta da indústria, que realiza o pagamento sempre à vista.
A capacidade instalada da fábrica é de 2,5 mil toneladas de mamona por mês. De acordo com Nésio, 65% da produção do óleo é comercializada no mercado interno e o restante é exportado. Estados Unidos, França, Comunidade Européia, Tailândia, China e Japão são os principais compradores da mamona brasileira.
De acordo com o representante, o Paraná já teve tanta tradição quanto a Bahia na produção de mamona. ''Os paranaenses deixaram de investir na cultura em meados da década de 1980, quando o preço era baixo, não havia compradores, nem tecnologia disponível'', lembra.
Quando iniciou seus trabalhos no Paraná, a empresa paulista introduziu uma variedade desenvolvida pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integrada (Cati) de São Paulo, a AL Guarany 2002, que rende até 100 sacos/alqueire, além de fornecer 50 toneladas de matéria orgânica/alqueire. ''Precoce, a cultivar pode render até duas colheitas quando podada após o período das chuvas, além de favorecer a descompactação do solo e o combate de nematóides'', assegura Nésio.
Com porte variando entre 1,6 e 2,6 metros e teor de óleo na semente de até 48%, o ciclo da AL Guarany 2002 dura em média 180 dias. O plantio deve ser feito entre os meses de setembro e dezembro e a colheita ocorre a partir de março. ''É recomendado o espaçamento de 1,5 metro X 1 metro, com gasto médio de 25 quilos de sementes/alqueire'', sugere.


