A demora no processo de aumento de 5% para 7% na mistura de biodiesel no diesel, como é prometido pelo governo para 2014, tem deixado as indústrias brasileiras ociosas. Segundo José Adriano da Silva Dias, superintendente do Sindicato da Indústria de Produção de Biodiesel do Paraná (Sibiopar), o setor já contava com o aumento da mistura, mas ainda não veio. "Por causa disso, todo o parque industrial está trabalhando com períodos de ociosidade", observa.
O superintendente frisa que matéria-prima não falta para suprir as necessidades das indústrias. "Estamos com escassez de demanda", lamenta Dias. Só o Paraná possui cinco empresas de produção de biodiesel que estão enfrentando essa dificuldade. Para o superintendente da Sibiopar, na medida em que o percentual de mistura do biodiesel no diesel for aumentando, esse problema vai ser amenizado.
"Se aumentarmos esse percentual de mistura, além de reduzirmos a importação do combustível fóssil, poluiremos menos o meio ambiente", completa. Dias revela que a questão política é o que trava o processo. "O Brasil precisa definir a sua matriz energética", enfatiza o superintendente. Para ele, o segmento precisa de uma normatização para deslanchar, já que o setor ainda não se sustenta, necessitando de subsídios do governo para tornar-se viável economicamente.
"O valor do biodiesel é muito elevado, mesmo com a Petrobras subsidiando parte dos custos", salienta. Dias analisa que toda essa questão pode ser resolvida com investimentos em tecnologia de produção e elevação de escala.

Produção
Atualmente, o Paraná representa 4,4% no mercado nacional de biodiesel, de acordo com dados da Sibiopar, referentes a 2012. No ano passado, o Estado chegou a produzir 120,11 mil metros cúbicos de biodiesel, com uma perspectiva para 2013 de uma produção que pode variar entre 120 mil metros cúbicos e 130 mil metros cúbicos do óleo.
Dias completa que com o B5 o Parará tem registrado pequeno crescimento na produção de biodiesel. Em 2008, por exemplo, a produção paranaense não chegava a 8 mil metros cúbicos de óleo, ganhando força ano após ano até chegar aos patamares atuais de produção. A mesma conjuntura se repetiu para o mercado nacional, quando, no mesmo período, o Brasil chegou a produzir 1,17 milhão de metros cúbicos de biodiesel. Já em 2012, o volume nacional saltou para 2,72 milhões de metros cúbicos do óleo. (R.M.)

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