Atualmente, 80% dos 43 milhões de toneladas de carne de porco produzidas no País são processadas e não oferecem risco em relação ao odor dos hormônios
Atualmente, 80% dos 43 milhões de toneladas de carne de porco produzidas no País são processadas e não oferecem risco em relação ao odor dos hormônios | Foto: Assessoria de Imprensa da Frimesa/ Divulgação


A indústria de suínos sem dúvida vive um dilema em relação a como trabalhar com os animais castrados. Testes feitos em empresas do setor apontam que animais castrados cirurgicamente, logo no início de vida, tendem para um aumento nos custos de produção em 15%, além da diminuição na qualidade da carcaça, que acaba sendo terminada com mais gordura e menos carne.

Por outro lado, o pensamento dos grandes players é evitar ao máximo o animal inteiro (não castrado) no final do processo, pelo fato do odor dos hormônios, o que poderia gerar uma rejeição absurda do consumidor, dificílimo de reverter posteriormente. Vale dizer também que 80% dos 43 milhões de toneladas de carne de porco produzidas no País são processadas, ou seja, não tem risco em relação a esse odor.

O engenheiro agrônomo José Vicente Peloso trabalhou na indústria até 2010 e hoje é consultor independente da cidade de Itajaí (SC), com foco em sistemas de avaliação de carcaça e qualidade de carne. Ele ressalta que o grande desafio atual, no sistema de integração, é uma associação da qualidade da carne e o bem-estar animal, reduzindo custos de acordo com o mix de produtos dentro dos frigoríficos. "O bem-estar animal está ganhando rotina dentro dos frigoríficos, nos processos de pré-abate e na granja para atender esse público urbano cada vez mais exigente. Precisamos aumentar a atratividade dos produtos de carne suína, produzir animais mais pesados, o que dá mais trabalho e alcançar ainda mais os mercados externos."

Imagem ilustrativa da imagem Indústria vive dilema e busca bem-estar animal



Para aumentar o peso dos suínos sem o risco do odor, a imunocastração tem sido uma alternativa bem utilizada. Isso porque ela só acontece no final da engorda dos animais, que até lá desfruta dos benefícios da testosterona no ganho de peso. "(A retirada da castração) é um tema delicado, e a imunocastração nos auxilia nesse aspecto. Não acredito que a indústria possa olhar com bons olhos o abate de animais inteiros, mas imunocastrados, com animais mais pesados, já está sendo realizado."

Por fim, o consultor relata que a conversão alimentar dentro das granjas continua sendo um gargalo que precisa ser trabalhado com mais eficiência. "É um indicador que não é novidade, mas é complicado passar do nível bom para o excelente. É um trabalho contínuo, o suinocultor está sendo tecnicamente atendido pela indústria, mas os resultados devem vir ao médio e longo prazo." (V.L.)

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