A revelação é do Sindicato da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Mesmo com o desempenho negativo do conjunto dessas empresas no ano passado, o Brasil tem, ao lado da França e da China, o terceiro maior mercado de produtos veterinários do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Japão.
Segundo a assessoria de comunicação do Sindan, a conjuntura econômica e outras adversidades enfrentadas pela indústria veterinária atrapalharam os negócios. Algumas adversidades: os preços estáveis da carne bovina, do leite, dos frangos, dos ovos e da carne suína desanimaram os produtores, que não ampliaram seus plantéis. ‘‘Como o investimento em saúde animal está diretamente ligado ao resultado econômico do negócio, a comercialização foi difícil’’, justifica a assessoria.
A concorrência no mercado aumentou, os preços caíram - ‘‘em suma, para repetir o faturamento de 1997 as indústrias tiveram de vender volumes maiores e esticar os prazos de pagamento, que chegaram a 120 e até 180 dias em alguns casos’’, informa Nelson Antunes, presidente do Sindan.
Mercado mudaAntunes lembra que linhas importantes para os laboratórios, como as vacinas avícolas e antiparasitários para bovinos, tiveram seus preços de venda reduzidos em até 40% em alguns períodos do ano. Ele deu o exemplo da vacina contra a febre aftosa: nos anos anteriores a dose era vendida a R$0,45 para a revenda, no ano passado os valores caíram para cerca de R$0,30 a dose. ‘‘Por estas e outras razões, pode-se dizer que o resultado financeiro do setor foi ruim’’, acrescenta o presidente do Sindan.
Esta realidade provocou algumas alterações profundas no mercado. De um lado, prosseguiram as fusões de grandes empresas; de outro, apareceram microlaboratórios com atuação concentrada em atividades específicas, como produtos para pequenos animais. O Sindan informa que surgiram ‘‘pelo menos’’ trinta empresas de pequeno porte, porém muitas delas, assim como outras organizações já existentes, passaram a concentrar o seu trabalho na importação de medicamentos.
Estão registrados no Ministério da Agricultura cerca de 320 estabelecimentos veterinários, dos quais apenas 140 são fabricantes. Nelson Antunes reclama dos impostos: ‘‘A carga tributária está muito elevada e as empresas estão sem condições de arcar com tais custos. A saída tem sido a importação.’’ De janeiro e outubro do ano passado 350 produtos foram registrados no Ministério da Agricultura. Parte deles foram registrados pro laboratórios sem fábrica.
Mesmo o segmento de animais de companhia (cães e gatos) enfrentou problemas em 98. Representando 6% do faturamento total da indústria, esse nicho vinha crescendo a taxas ‘‘muito boas’’ nos anos anteiiores: o Sindan calcula que, na melhor das hipóteses, o setor cresceu entre 5% e 7% no ano passado. ‘‘Potencial crescimento há. Mas também em pequenos animais a indústria enfrentou dificuldades’’, conclui Nelson Antunes.

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