Indústria vê evolução no trigo paranaense

A cooperativa Integrada espera receber 250 mil toneladas de trigo este ano, resultado bem similar à safra passada. Apesar do deficit hídrico ter comprometido a produtividade de algumas áreas, os números são positivos, segundo o gerente técnico da Integrada, Irineu Baptista, que espera um trigo de alta qualidade. "Temos produtores bem tecnificados e que conhecem a cultura. Esperamos que o preço não caia tanto agora com a chegada do produto no mercado e que eles consigam ser recompensados nas transações, apesar da pressão do mercado."
Nesta semana, a cooperativa recebeu uma comitiva da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), com 20 representantes das maiores indústrias de moagem do País, que passaram pelo Paraná, incluindo a região Norte, para conferir a qualidade do produto. O diretor institucional da entidade, Conrado Mariotti Netto, disse à FOLHA que a qualidade do trigo paranaense já se consolidou no mercado. "A evolução da qualidade nos últimos anos foi considerável. Existem diversos moinhos no Paraná, inclusive, que só utilizam produtos da região. Diversos fornecedores argentinos já estão se preocupando com essa evolução do trigo brasileiro."
Mariotti Netto complementou dizendo que as visitas nas lavouras e cooperativas no Norte do Estado foram bem produtivas e espera-se uma boa qualidade da commodity para esta safra. "Dentro do que nos foi apresentado, existe uma grande preocupação com a qualidade e esperamos que isso se consolide na colheita."
Já o gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, que também acompanhou a comitiva, relatou que essa aproximação entre produtor e indústria é muito importante para a cadeia, pois mostra que todos estão comprometidos em atender o que o mercado deseja. "Temos trabalhado com as cooperativas e os produtores em busca de uma melhora constante da nossa safra. Houve um progresso muito grande da pesquisa no que diz respeito à qualidade. Já comercializamos nossa produção até para moinhos do Norte e Nordeste, que reconheceram a qualidade do trigo paranaense. Agora, esperamos que nos próximos 15 dias, quando a colheita ganha intensidade, que as chuvas não atrapalhem."
O responsável pelas compras de trigo para os moinhos da Bunge Alimentos, Edson Csipai, mostrou otimismo com o trigo paranaense. "A cadeia produtiva tem de estar unida para plantar o trigo certo para a farinha certa. A Integrada é uma das maiores fornecedoras de trigo do Paraná e a qualidade do cereal evoluiu muito nos últimos anos. A indústria reconhece essa qualidade e devemos continuar trabalhando em conjunto para não perdermos isso."
Durante a visita ao Paraná, a comitiva também conheceu as ações de outras cooperativas que possuem um trabalho forte com a commodity: Cocari, em Mandaguari; Cocamar, em Maringá, e Coamo, em Campo Mourão. (V.L.)





