Indústria tem potencial para produzir 20% mais
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sexta-feira, 07 de julho de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

Se a produção de trigo paranaense aumentar, a indústria tem condições de receber até 20% mais grãos para moagem. Segundo o Panorama Setorial da Indústria do Trigo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o setor fabril tem um parque moageiro moderno, com elevado grau tecnológico e que recebeu investimentos de cerca de R$ 1 bilhão na última década.
Com mão de obra capacitada e equipamentos de última geração, a expectativa é de crescimento nos próximos anos. "Se o cenário não é o ideal para o produtor, para a indústria não se pode dizer que está ruim", diz o coordenador de desenvolvimento industrial da Fiep, Marcelo Alves.
Ele explica que o problema no passado era a qualidade do grão, mas hoje é conseguir acessar o mercado externo. "Nossa diferença para os concorrentes ainda é o Custo Brasil, com tributos, custos trabalhistas e de logística", afirma Alves.
O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo), Daniel Kümmel, afirma que o avanço na qualidade do grão permite que se trabalhe com praticamente 100% do grão nacional. "O nosso setor está preparado para atender o Brasil quando houver a retomada do crescimento da economia e o consequente aumento da demanda", conta. "Nosso parque permite aumentar em 20% a moagem", completa.
Para a vice-presidente do Moinho Globo, Paloma Venturelli, o momento é de cautela pela crise política nacional, que deixa a economia instável. Ela diz que a recessão também fez com que o governo do Estado tenha tomado uma medida restritiva ao setor, ao elevar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 2% para 8% para a venda de trigo em grão para outros estados. O mesmo estava previsto para ocorrer com a farinha processada, mas o setor conseguiu adiar temporariamente a mudança. "Os moinhos do Paraná priorizam o trabalho com o trigo do Paraná. É lógico que temos interesse em exportar, mas essa questão do ICMS gera insegurança."
Paloma acredita que o ideal seria que o preço pago aos produtores não ficasse abaixo do custo de produção. "Um valor muito baixo pode até mesmo gerar guerra de preços entre moinhos, então não é bom para ninguém", diz. Ela também cita a falta de infraestrutura de armazenagem como um problema mais grave. "Talvez o governo devesse incentivar que fábricas consumidoras de farinha se instalassem aqui, o que geraria mais renda no Estado. Metade da farinha que produzimos vai para fora", conta. (F.G.)


