O projeto foi abadonado há quatro anos, por um grupo de cooperativas, e agora se prevê que a produção dos fornecedores de casulos para a Kanebo na região deve dobrar nos próximos dois anos, para viabilizar a construção de uma indústria de fios em Umuarama. Diante dessa perspectiva, as prefeituras já retomam projetos de incentivo à criação do bicho-da-seda, o principal deles a distribuição gratuita de calcário para melhorar a produtividade das amoreiras.
Entretanto, convencer novos agricultores a entrar no negócio não será tarefa fácil. O preço do casulo, embora tenha melhorado nos últimos quatro anos, ainda é inferior ao custo total de produção. O quilo de casulo está cotado em R$ 2,75, enquanto o custo total de produção (o que inclui o preço da terra) varia de R$ 3,20 a R$ 3,50. Com pouca renda, não sobra para reinvestir na atividade. O resultado são amoreiras com baixa produtividade e casulos de baixa qualidade.
Incentivo‘‘O maior incentivo ao produtor será sempre o preço’’, diz o presidente da Associação dos Sericicultores de Umuarama, o advogado Antônio Comparsi de Melo. Ele acredita que o projeto da Kanebo estimulará muitos criadores a aumentar e melhorar a produção. E pode até convencer outros agricultores e entrarem na atividade, apesar disso ser mais difícil, porque exige investimento e os agricultores estão descapitalizados e ressabiados com financiamentos bancários.
Com dois alqueires de amora em sua chácara em Serra dos Dourados, Melo está abandonando a sericicultura porque não tem lucro nenhum. No caso dele, que precisa pagar gente para tocar o barracão, o bicho-da-seda ficou inviável. ‘‘A seda é um boa opção de renda para o agricultor que mora na propriedade e tem família para ajudar no serviço’’, observa. Esse produtor pode contar com uma renda mensal durante nove meses, o que poucas atividades rurais oferecem.
Embalada pelo preço atraente, a sericicultura cresceu quase 800% num período de nove anos. Em 84, as amoreiras ocupavam apenas 940 hectares e produziam 320 toneladas de casulos verdes. Em 93, chegou a 8.836 hectares. Foi a época em que o preço do casulo caiu de U$ 4,00 para menos de U$ 2,00 o quilo. A partir daí, muitos produtores abandonaram quase mil hectares de amoreiras.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura, a área voltou a crescer. Na última safra, 96/97, que ainda não foi fechada, os criadores cultivaram cerca de 9,6 hectares e produziram 3,2 mil toneladas de casulos. São cerca de 2,2 mil produtores que fornecem casulos para a Kanebo, Bratac e Cocamar. Para a safra 97/98, o Deral estimava em torno de 10 mil hectares, com 3,4 toneladas de casulos. ‘‘A retomada do projeto Cooperseda pode aumentar bastante a área’’, prevê o economista do Deral, Ático Ferreira.
Ao anunciar o projeto da Kanebo, o prefeito de Umuarama, Fernando Scanavaca, disse que acredita na possibilidade de dobrar a produção apenas melhorando a produtividade das amoreiras. Scanavaca pediu ajuda do Governo do Estado para fornecer calcário de graça para os sericicultores. Para instalar uma indústria de fios em Umuarama, a Kanebo precisa de pelo menos 1.600 toneladas de casulo verde por safra. Atualmente os cerca de 800 fornecedores da indústria na região produzem aproximadamente 800 toneladas.
Já a partir desta safra, que começa em setembro, a Kanebo passa a secar em Umuarama as 800 toneladas de casulo verde produzidas na região. Deixa de levar para Nova Esperança. A indústria japonesa passa a usar o secador de casulos da Cooperseda, construído há quatro anos e que nunca funcionou. Se a produção aumentar daqui a dois anos, constrói a agroindústria.

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