Indústria quer garantir compra por R$ 100,00/t
Os atuais bons preços da mandioca para o produtor não estão agradando a indústria. Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), José Eduardo Pasquini, preços exagerados inviabilizam a indústria, promovem uma retração de mercado e abrem brecha para a substituição dos derivados da mandioca por similares.
Pasquini destaca que a cadeia produtiva nunca foi organizada o que, para ele, provoca as grandes oscilações de preço e mercado que enfrentam, além de prejudicar o crescimento do setor. A indústria nunca sabe o volume de matéria-prima que pode contar.
Para vencer a falta de organização, a Abam está desenvolvendo um programa, o Plantio Responsável da Mandioca. O programa está fechando contratos com a garantia de preço mínimo ao produtor que se compromete também com a entrega das raízes. Os contratos são de R$ 100,00/t.
O presidente da associação explica que a venda futura prevê, na época da colheita, o pagamento do preço do dia caso ele seja superior ao valor contratado. Para a indústria a vantagem é poder programar a produção e a venda sem o risco da falta de matéria-prima. O produtor tem a garantia de que não enfrentará preços menores, mas sim patamares que não os desanimem do cultivo nem inviabilizem a indústria.
Outra expectativa do setor é buscar novos mercados. Pasquini destaca que a indústria está vislumbrando o espaço ocupado pelo amido da batata. Segundo ele, com o fim dos subsídios da cultura nos países europeus o produto ficará inviável abrindo caminho para o amido da mandioca. Para isso eles estão empenhados em, a partir da criação da Área de Livre Comércio das américas (Alca), obter alíquota zero para a exportação do produto.
Pasquini cita ainda que naqueles países é muito forte a preocupação com o uso excessivo de agroquímicos como ocorre no tubérculo. Estamos iniciando o plantio da mandioca orgânica, destaca.
Ainda na organização da cadeia produtiva, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) cria no dia 2 de fevereiro de 2004 a Câmara Setorial da Mandioca. Pasquini não esconde a satisfação e explica que com o órgão será possível discutir mecanismos que auxiliem no crescimento do setor. A Câmara terá caráter consultivo sendo composta por representantes de todos os setores da cadeia.
O presidente da Abam diz que os principais produtos da mandioca são a farinha e o amido. Há ainda outros produtos originados do amido, como o amido modificado (utilizado pela indústria de papel e têxtil), o sagu e a tapioca. A novidade é a glicose de mandioca, utilizada na fabricação de balas e doces, fabricada por duas indústria no mundo, uma delas no Brasil (em Paranavaí).(C.G.)





