O setor de carnes de frangos e suínos têm, a exemplo do que a cadeia da carne bovina está implementando, um sistema de controle da sanidade e dos insumos utilizados na produção que funciona também como um programa de rastreabilidade. Independente de programas de governo ou de associações de produtores, no caso de suínos e frangos, são as empresas do setor que realizam a chamada rastreabilidade da produção.
Qualidade final A rastreabilidade é feita para monitorar o uso de insumos na produção e para o controle de doenças, que são barreiras no mercado interno e exportador, garantindo a qualidade do produto final.
Esse controle vem sendo efetuado há muitos anos em função das exigências do mercado, notadamente exportador, mesmo antes dos problemas da vaca louca e aftosa que têm acometido os bovinos na Europa.
''Diferente do setor de carne bovina, em que o pecuarista produz e vende seus animais para os abatedouros (sem nenhuma integração), a produção de carne de frangos e suínos no Brasil é feita, basicamente, pelo sistema de integração, onde indústrias fornecem a matéria-prima, fazem as exigências, e o produtor entra com o manejo e recebe por qualidade quando atende as exigências,'' afirma Élsio Figueiredo, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC).
Pagamento por qualidade Em suínos, por exemplo, segundo o pesquisador Jerônimo Fávero da Embrapa Suínos e Aves, o pagamento por qualidade é medido pela quantidade de carne magra na carcaça através do sistema de tipificação das carcaças. Em aves, de acordo com Figueiredo, paga-se melhor por conversão alimentar e baixos índices de mortalidade na granja.
No caso de suínos há controle das doenças dos rebanhos, bem como do manejo pré-abate, visando a diminuição dos casos de carne PSE, derivada de situações de estresse que pode resultar num animal de carne mole, com baixo rendimento e ou aproveitamento industrial.
Em frangos, segundo o pesquisador, a indústria tem se preocupado em controlar doenças como a salmonella, que pode fazer mal ao consumidor. Outra preocupação é controlar a idade de abate, de acordo com que cada mercado comprador exige e a quantidade ou a ausência de produtos utilizados na ração e no tratamento das aves.
Para a Árabia Saudita, por exemplo, o frango deve pesar 1 kg e ser abatido entre 31 e 33 dias de vida. Na Argentina a exigência é de um frango de 3 kg, abatido aos 56 dias e no Brasil, que consome o frango em cortes, a exigência de mercado é de uma ave com 2.400 kg de peso vivo, aos 44 ou 46 dias.
A peça mais valorizada no mercado exportador, segundo o pesquisador, é o peito de frango, uma carne apropriada para todos os tipos de pratos. Nas escolhas das linhagens para conseguir bom rendimento deste corte observa-se conversão alimentar e rendimento de carne.
Dependendo do mercado há exigências culturais a serem cumpridas nos cortes. O Japão, por exemplo, não quer frango que recebeu farinha de carne na ração e tem muitas restrições aos produtos veterinários. O mercado árabe, maior comprador do produto nacional, faz exigências até na maneira de abate das aves.
O setor também está atento às mudanças do desejo de alguns consumidores por carnes, hoje chamadas alternativas. O consumidor tem valorizado frangos criados em sistema de produção que não foram tratados com medicamentos.
Para todos os gostos O Brasil tem hoje três sistemas de produção do frango. O convencional, que é mais consumido no mercado interno, onde se usa farinhas de carne na ração, antibióticos na prevenção de doenças e promotores de crescimento que possibilitam um abate dos 42 aos 45 dias de vida da ave. A retirada desses componentes encarece o produto, que demora mais para chegar ao abate e exige nichos de mercado.
Existem outros tipos de frangos como o caipira/colonial e o orgânico/agroecológico. Na produção do caipira/colonial as aves são criadas soltas, com qualquer tipo de alimentação, sem ingredientes de origem animal. O orgânico também é criado solto, mas a propriedade deve ser certificada e não pode usar insumos químicos em toda a sua produção, inclusive nos produtos que servirão para a alimentação das aves.
Tipos de integração Hoje no País, de acordo com Figueiredo, 90% da produção de suínos e aves se dá pela integração, especialmente no Sul. A integração funciona diferente para suínos e aves. O produtor de aves recebe da empresa integradora os pintos, ração e assistência técnica e entra com a mão-de-obra e infraestrutura.
O produtor de suínos tem outras alternativas. Ele pode ser proprietário das matrizes e vender os leitões para outros produtores integrados terminarem. Há a possibilidade também, no caso de suínos, de usar ração própria. Em outros casos os produtores recebem tudo da empresa e entram com os cuidados gerais, estrutura e mão-de-obra.
O produtor de suínos pode também criar os leitões e engordá-los, mas deve cumprir o contrato de entrega e durante todo o processo terá assistência técnica da indústria o que garante à empresa a rastreabilidade da produção.
Exigência dos compradores Essa rastreabilidade, segundo Élsio Figueiredo, é feita basicamente para o controle de doenças e de todos os métodos de produção, já que a indústria pretende atender o mercado de exportação e cada um desses mercados exige que os animais sejam criados em sistemas específicos. No mercado brasileiro a exigência maior é com relação ao preço final do produto, especialmente no caso do frango, que atualmente é a carne mais barata ofertada à população.
A indústria de suínos aproveitou também as inovações introduzidas na indústria avícola no que diz respeito à coordenação da cadeia produtiva, o que tem contribuído para a competitividade do produto nos mercados externo e interno. No mercado interno, indústria e associação de criadores procuram esclarecer sobre os mitos que atualmente ainda restringem a expansão do consumo de carne suína.
O maior entrave para as exportações de carne suína ainda são as barreiras sanitárias, principalmente peste suína. Programas governamentais como o de Erradicação da Peste Suína Clássica, estão conseguindo bons resultados e melhorando a imagem do produto brasileiro no exterior.
''Considerando a competitividade e a qualidade das carnes de suínos e aves atualmente produzidas no Brasil, as perspectivas de crescimento da produção são grandes e espera-se uma expansão e aprimoramento do setor,'' finaliza Figueiredo.

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