Marcos Zanatta
De Maringá
O preço do litro do álcool combustível, que chegou a ser comercializado pelas usinas a R$ 0,15 na safra passada, já está em torno de R$ 0,31. O principal motivo para a reação, segundo os representantes do setor, foi a disparidade de valores entre álcool e gasolina a nível de consumidor. ‘‘Mas existe também um trabalho desenvolvido pelas usinas e entidades ligadas ao setor, que está provocando uma reviravolta na situação do álcool’’, diz o presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), Anísio Tormena.
A expectativa dos usineiros é que o litro do álcool chegue a R$ 0,41 a curto prazo, mesmo valor do produto há três anos. Hoje, segundo Tormena, o valor está dando condições para as usinas trabalharem, mas o setor está descapitalizado depois da crise da safra passada. ‘‘Precisamos de um preço que cubra o custo de produção para voltar a investir’’, afirma.
QuebraA falta de dinheiro, alega Tormena, obrigou as usinas a frearem os gastos, inclusive em tecnologia para ampliar a produção. O resultado deve ser uma quebra em torno de 5% para a próxima safra. Agora as usinas do Paraná estão colhendo 25 milhões de toneladas de cana, e devem produzir 1,06 milhão de litros e 1,4 milhão de toneladas de açúcar.
A meta agora é aproveitar as oportunidades, avisa o presidente da Alcopar. Ele lembra que desde a safra passada, o setor vem tomando medidas para reverter o quadro do álcool combustível. A pressão fez com que o governo concordasse em adotar a ‘‘Frota Verde’’, que é de susbtituir, quando necessário, os veículos oficiais por modelos movidos à álcool. ‘‘O problema é que o governo está comprando muito pouco, e a indústria só agora está voltando a produzir o veículo movido à álcool’’, explica Tormena. O setor não ficou na dependência apenas do governo. Os produtores de São Paulo conseguiram o ‘‘Pacto pelo Emprego no Setor Sucroalcooleiro’’ (veja box).
ComercializaçãoA nível regional as usinas do Centro-Sul se uniram para comercializar o produto, criando a Bolsa Brasileira de Álcool (BBA). Além do valor de venda do produto para o mercado, os usineiros tinham que resolver o problema do excedente, que chegou a 2 bilhões de litros no início da safra passada. ‘‘A BBA está conseguindo alguns avanços’’, afirma Tormena. Ele diz que antes da bolsa, quase 300 usinas faziam a comercialização de forma isolada, com preços diferenciados, o que acabava contribuindo para derrubar o valor a nível de produtor. Hoje a BBA intermedia a venda de 78% da produção do Centro-Sul.
A reação do mercado está levando a BBA até a recomprar contratos futuros de exportação. ‘‘Para enfrentar a situação estamos nos organizando’’, explica Tormena. Ele diz que o produtor de cana estava desestimulado, e as entidades ligadas à agropecuária estão se mobilizando para traçar as metas diante da nova realidade do setor. O primeiro passo, segundo ele, é manter a valorização do álcool combustível. Tormena explica que apesar da distribuidora estar comprando o litro do álcool em média a R$ 0,35, o produto chega ao consumidor entre R$ 0,57 a R$ 0,59. ‘‘O lucro fica com as distribuidoras’’, lamenta.
PreçosA intenção de todo setor é de retomar preços ‘‘remuneradores’’ sem no entanto promover reajustes a nível de consumidor. O que vem causando uma reação positiva nos preços pagos às usinas, concorda Tormena, é a disparidade entre o valor do álcool e da gasolina no varejo. ‘‘Por isso estamos organizando o planejamento do setor, para evitar problemas futuros’’, diz. O planejamento vai atingir desde o produto a nível de campo, até a garantia de abastecimento e o mais importante, a manutenção dos empregos. Hoje a cana gera 75 mil empregos diretos e cerca de 500 mil indiretos no Paraná.

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