DificuldadeO produtor Natal Tolari acha que a produtividade da lavoura ainda é pequena e não dá boa rentabilidadeAs indústrias consideram baixos os preços praticados hoje para a produção de fécula e farinha de mandioca, mas a expectativa do setor é de melhora a partir de outubro. ‘‘A tendência do mercado é de se ajustar de vez, permitindo a profissionalização do setor’’, garante o presidente da Associação das Indústrias de Derivados de Mandioca (Assimap), Demerval Silvestre.
Silvestre explica que hoje as indústrias estão com dificuldades devido ao excesso de oferta e à concorrência de outros produtos, como os derivados de milho. ‘‘Já existia uma previsão do quadro que estamos enfrentando, mas acredito em uma melhora no mercado ainda este ano’’, afirma. Silvestre diz que o ajuste do segmento deve contar com a participação de todos.
O Governo, através da comercialização do estoque excedente, está derrubando as cotações, mas a promessa é manter uma média baixa de oferta do produto apenas para regular o mercado. ‘‘Sem excedentes, não vai mais existir o risco de pressão dos preços para baixo com a desova do estoque’’, explica Silvestre. O resto do setor, segundo ele, deve agora se unir para garantir a profissionalização.
ExemploUm projeto, adotado pela empresa de Silvestre, deve servir de exemplo para o aumento de produtividade e o corte nos gastos. As indústrias se unem com os produtores rurais, através de condomínios, para garantir áreas de plantio e assistência técnica da extensão rural. ‘‘Estamos em uma fase inicial; vamos corrigir os erros e fazer o sistema virar projeto de Governo para o setor’’, espera.
Através do condomínio, segundo Silvestre, é possível reduzir em até 50% a necessidade de mão-de-obra e aumentar a produtividade. Ele diz que da média de 45 a 50 toneladas por alqueire é possível chegar a 75 ou até 80 toneladas na mesma área. ‘‘Com a união de todos estamos reduzindo custos e aumentando a produtividade em até 30%’’. Silvestre acredita que, unificado, o setor conseguirá melhorar também os preços de mercado, eliminando os aventureiros que entram no setor apenas nos momentos de pico das cotações, prejudicando todo o segmento.
No setor de fécula, explica Silvestre, o problema é a concorrência muito grande com outros produtos e também a retração no consumo. Ele acredita, no entanto, que a organização do setor permitirá uma exploração mais bem planejada dos subprodutos. ‘‘Acreditamos ainda no aumento do consumo do produto, principalmente dos alimentos industrilizados’’, afirma.
CorolNa região de Londrina, a área de plantio de mandioca vem aumentando nos últimos quatro anos, estimulada pelo projeto da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol) integrado com a indústria de farinha. Atualmente 50 produtores estão cultivando, alcançando uma produtividade média de 41 toneladas por alqueire.
O produtor Natal Tolari é um dos que aderiram ao cultivo da mandioca recentemente. Sua propriedade tem aproximadamente 9 alqueires, onde ele cultiva café, laranja e trigo.
A área com mandioca é pequena; apenas um alqueire e meio. Segundo Natal o preço pago pela tonelada, em torno de R$ 50,00, é bom, mas a produtividade está baixa. ‘‘Tenho colhido em média 35 toneladas por alqueire. Acho que a variedade escolhida ainda não é a ideal, porque a produção tem variado muito’’, diz Natal. Colaborou Cristina Côrtes

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