A triticultura precisa vencer três grandes dificuldades para alcançar bons negócios: logística, qualidade e armazenagem. A observação foi feita por Marcelo Vosnika, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) e presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo-PR). Ele reforça que 50% do grão utilizado pela indústria brasileira é importado, mas que no Paraná esse índice cai para 20%.
Vosnika explica que há um entrave logístico que favorece a importação do produto, principalmente pelos moinhos instalados no sudeste e nordeste do País. ''Os moinhos do Ceará estão mais perto do Golfo do México o que facilita a importação do produto dos Estados Unidos do que a compra do produto do Sul do Brasil. Fica bem mais barato, mesmo com as taxas de importação'', exemplifica. O empresário acrescenta que para o trigo nacional chegar mais competitivo ao nordeste, por exemplo, deveria ser transportado via porto. Porém, essa alternativa se esbarra na falta de infraestrutura. ''E nós temos pleiteado junto ao governo uma melhor estrutura'', afirma Vosnika.
A qualidade também pesa na hora da compra. Segundo ele, dos cerca de 10 milhões de toneladas utilizadas pela indústria, cerca de 55% é para panificação. ''É um trigo específico, que a indústria não encontra aqui. O grão que o Brasil produz não atende a indústria'', resume. Outro ponto que prejudica a comercialização, conforme o empresário é a armazenagem. ''O produtor colhe em três meses, mas a indústria utiliza durante um ano. A gente não tem como comprar e armazenar'', informa.
Vosnika observa que a Abitrigo tem apoiado e aprovado as medidas do governo para melhorar o setor, como o estabelecimento do novo padrão de classificação. Ele acredita que com a mudança, os produtores passarão a mirar no mercado consumidor. O governo, pontua, está atuando para ajustar oferta e consumo e fazer com o que o produtor deixe de depender da compra do governo.
Paraná
No Paraná, segundo ele, o cenário é diferente. Cerca de 80% do trigo utilizado pelos moinhos locais é nacional. Os outros 20% vem da Argentina e serve para melhorar o produto. ''Misturamos o trigo para melhorar o nosso produto'', diz. O trigo argentino é mais uniforme. Apesar disso, acrescenta Vosnika, o trigo paranaense é muito bom e deverá ficar melhor com a nova classificação. Com essa medida, inclusive, o empresário acredita que em um futuro próximo 100% do cereal utilizado pela indústria paranaense será nacional. (E.Z.)

mockup