Não só a produção sofreu com a crise do setor, mas também a agroindústria que, até pouco tempo, estava ociosa. De acordo com Paulo Zanetti, presidente da Renuka Vale do Ivaí S/A, com sede em São Pedro do Ivaí, região norte do Estado, a recuperação da agroindústria sucroalcooleira não só no Paraná, mas em todo o País, começou com o aumento da participação do capital estrangeiro no setor. Há dois anos, a usina Vale do Ivaí foi comprada pelo grupo indiano Renuka, especializado em produção de açúcar.
''Está havendo uma rearranjo do setor sucroalcooleiro nacional, onde as grandes unidades estão se fundindo e recebendo investimento de capital estrangeiro. Agora só falta levar esses investimentos para as pequenas empresas pelos mesmos meios pelos quais foram beneficiados os grandes grupos'', sugere.
Segundo Zanetti, o Paraná tem grande potencial de crescimento, principalmente o Noroeste do Estado, cujas condições climáticas e a boa qualidade de solo são propícias à atividade. O presidente da Renuka reforça que além disso, o alto índice de pastagens degradadas nessa região deve favorecer a ampliação de setor sucroalcooleiro estadual. ''É por isso que o grupo Renuka resolveu instalar-se na região, mesmo que a cana ainda não seja o foco dos produtores da região, que têm no plantio de soja e milho ainda as prioridades'', esclarece.
Domingos Zago, produtor de 40 hectares de cana, na região de Rolândia, e hoje fornecedor da Renuka, revela que apesar da crise que o setor enfrentou nos últimos dois anos, não lhe passou pela cabeça desistir da atividade. ''A cana não dá trabalho. Se você fizer corretamente os tratos culturais recomendados, está sossegado'', afirma. Para se ter uma ideia da recuperação da atividade em apenas um ano, em 2010 Zago chegou a ter um lucro livre de R$ 5,50 a tonelada. Neste ano, o valor deverá chegar a R$ 30 por tonelada.
Apesar da idade avançada, Zago, que tem 80 anos, consegue sozinho obter uma produtividade de 110 toneladas por hectare, a um custo de produção total de R$ 900/ha. ''Pretendo sempre plantar cana, mas o investimento deve ser feito sempre, pois quanto maior a minha produtividade, melhor será a remuneração'', acrescenta o produtor. O presidente da Renuka completa que a cana é uma segurança a mais para o produtor paranaense e a área plantada vem crescendo em todo Paraná.
A Renuka de São José do Ivaí processou só no ano passado 1,6 milhões de toneladas de cana. Dessas, foram produzidas 115 mil toneladas de açúcar e 37 milhões de litros de etanol. Com a reativação da unidade de Cambuí, a meta total da empresa para a próxima safra é processar 2,8 milhões de toneladas de cana, na qual deverão ser transformadas em 200 mil toneladas de açúcar e 60 milhões de litros de álcool. Em dois anos, a empresa investiu nessa unidade R$ 130 milhões, além do plantio de 18,5 mil hectares de cana.
Deficiência dos canaviais
Além da crise que desmotivou o investimento em insumos, Zanetti revela que muito trabalho ainda tem que ser feito no Paraná. Um deles é a renovação dos canaviais do Estado. ''As nossas lavouras estão velhas. Além disso, em 2010 tivemos um estresse hídrico no Paraná que prejudicou diretamente a produção'', destaca. Segundo ele, a idade da cana do Estado chega a seis anos, sendo que a maioria dos produtores já estão no quarto ou quinto corte. ''É preciso começar renovando a lavoura''. (R.M.)

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