Indústria de genéricos quer espaço na soja transgênica
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sábado, 31 de outubro de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O cultivo de transgênicos está sempre envolto em polêmicas. Ambientalistas se movimentam, demonstram os efeitos nocivos dos organimos geneticamente modificados, fazem protestos em todo o mundo. Por outro lado, os partidários da tecnologia argumentam que são inúmeros os benefícios dos transgênicos. Porém, mesmo entre os defensores dos OGMs há disputas de espaço e de opiniões.
A Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (Aenda), por exemplo, reclama espaço para seus produtos no Estado do Paraná. A entidade queixa-se de uma reserva de mercado para o Roundup, produto da Monsanto que confere à soja transgênica a resistência ao herbicida glifosato. A situação ocorre porque o governo não reajustou a legislação, que estabelece a equivalência entre os genéricos e o produto da Monsanto.
A Aenda argumenta que os genéricos desenvolvidos com o mesmo princípio do Roundup têm muitas restrições e o uso só é permitido depois de uma série de testes de eficácia e fitotoxicidade. ''A repetição de testes é descabida, pois o alvo continua sendo as mesmas ervas, cujo controle já foi comprovado. O teste de fitotoxidade é um verdadeiro absurdo, pois seria como acreditar que a molécula glifosato se transmudasse ao ser usada na composição de outra marca comercial'', critica Tulio Teixeira de Oliveira, diretor executivo da Aenda.
Segundo Oliveira, a legislação vigente no Estado impede a entrada dos genéricos no mercado por até dois anos, tempo necessário para os testes. ''Em repentino surto de legalismo sem sentido o setor de fiscalização do comércio do Paraná não permite que o agrônomo receite glifosatos genéricos para a soja transgênica, somente aqueles que trazem na bula a indicação expressa de uso em soja geneticamente modificada'', afirma.
Segundo ele, as revendas e cooperativas, já mantêm estoques distintos de acordo com a estimativa de venda para soja OGM e soja comum. Oliveira acrescenta que os preços dos genéricos no Paraná já não respondem às pressões de livre concorrência existente no restante do país.
O diretor da Aenda lembra que com aprovação da equivalência em 2002 para o registro de produtos genéricos, na esfera federal não há mais a necessidade da repetição destes testes de eficácia e de resíduos. ''A similaridade química do Produto Técnico Genérico (que é o agente ativo) frente ao Produto Técnico de Referência estiver comprovada os efeitos de eficácia e de resíduos também serão os mesmos'', argumenta.
Para o diretor da Aenda falta bom senso às autoridades. ''O glifosato não é transgênico e a soja transgênica não é uma cultura à parte '', argumenta. ''O Mapa não deveria permitir a recomendação explicitando Soja RR, mas sim aplicação do glifosato em pré e pós-emergência, além da dessecação '', completa. Oliveira afirma que nas recomendações de uso do produto poderia haver uma observação de alerta.
Oliveira também cobra rápida solução para a questão no Paraná. Para ele, deve-se considerar a soja OGM como um tipo de soja e não como outra cultura. ''Qualquer glifosato vai atuar igualmente numa e noutra soja'', argumenta. A Aenda reivindica a alteração da Lei Estadual, ®MDNM¯pedindo aos deputados paranaenses a tramitação em regime de urgência do projeto de lei 380, de 2008, que trata da equivalência dos defensinvos genéricos no Estado.


