Sem dúvida a mandioca é uma raiz versátil. Além de ser conhecida por vários nomes, entre eles macaxeira e aipim, o produto é utilizado para compor receitas doces e salgadas. Não bastasse o uso para o consumo humano e animal, ela também acaba servindo para fins industriais. O Oeste do Paraná, em Assis Chateaubriand (72 quilômetros ao norte de Cascavel) é um exemplo disso, a produção dos cooperados da C.Vale é toda voltada para a indústria de tecidos e de papel a partir do amido do tubérculo.
Logo que é retirada da terra, a mandioca é transportada para a indústria de amido, esclarece o técnico agrícola da C.Vale Alessandro Tinos. Depois de lavadas, as raízes passam por esteiras que as conduzem aos trituradores. Após a primeira moagem o amido é separado do bagaço. Enquanto o bagaço é armazenado e fica à disposição dos produtores que entregaram as raízes, o amido segue para secagem em centrífugas. Durante as várias secagens, ele recebe produtos químicos que irão aumentar a capacidade natural de branqueamento da mandioca. O amido resultante desse processo só poderá ser usado pela indústria. O bagaço separado é utilizado pelos produtores na alimentação animal.
A indústria da C.Vale em Assis Chateaubriand pode operar 24 horas, com capacidade para processar 400 toneladas de mandioca por dia. A maioria dos processos da indústria é feito mecanicamente, os 56 funcionários se dividem entre a administração da fábrica, operação e vistoria das máquinas. A indústria está em atividade desde o mês de fevereiro e a previsão é que funcione até dezembro, período de disponibilidade da matéria-prima.
O presidente da C.Vale, Alfredo Lang, justifica que 83% dos cooperados são pequenos agricultores e o cultivo da mandioca serve como alternativa para a diversificação de culturas. ''Queremos que o pequeno agricultor não fique tão dependente da produção de grãos'', considera.
''O problema do cultivo da mandioca é a instabilidade nos preços do produto'', constata Tinos. Segundo ele, a amidonaria da cooperativa começou a funcionar em 2002. Nesse ano, como o preço da tonelada oscilava em R$ 30, os agricultores plantaram pouco e a safra em 2003 foi pequena. Com a pouca oferta o preço da tonelada disparou alcançando até R$ 300, em 2004. Neste ano, os preços por tonelada estão entre R$ 105 e R$ 145, dependendo da variedade cultivada.
A C.Vale estima que cerca de mil produtores da região oeste entreguem raízes de mandioca para processamento nas amidonarias de Assis Chateaubriand e Terra Roxa.

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