Horizontina - Aproveitando os bons rendimentos da agricultura em 2002 e as perspectivas otimistas para o setor em 2003, em função da ampliação de áreas de cultivo e da possibilidade do Projeto de Governo Fome Zero alavancar maiores incentivos para a produção de alimentos, as empresas de máquinas e implementos estão apostando num período ainda melhor para o mercado.
A John Deere Brasil, por exemplo, com sede em Horizontina (RS), inaugurou na última segunda-feira um novo sistema de pintura de colheitadeiras e tratores. O investimento somou US$ 12,5 milhões. Segundo o presidente mundial da divisão agrícola da empresa, David Everitt, a tecnologia permite obter um produto de melhor qualidade.
No novo sistema as peças são pintadas por imersão, com uma tinta especial, livre de metais pesados e à base de água, gerando menos poluentes. O benefício para a indústria está no aumento de produtividade e, para o agricultor, a vantagem é a proteção contra corrosão e ferrugem e maior tempo de vida útil.
O diretor de marketing da empresa para a América Latina, Martin Mundstock, avisa que a nova tecnologia, não vai alterar o preço das máquinas. O objetivo é que o diferencial na pintura possa conquistar novos clientes e aumentar a participação no mercado nacional e internacional.
O método de aplicar a pintura por imersão permite atingir todos os pontos das peças e deverá, além de proporcionar economia de tinta, aumentar a capacidade produtiva na indústria: 42% na produção de colheitadeiras, e 60%, na de tratores.
A empresa usa este sistema em três de suas maiores indústrias no mundo: EUA, Alemanha e China. A John Deere possui ao todo 32 fábricas em 12 países. No Brasil são duas, a de Horizontina e uma em Catalão, Goiás. As revendas somam 101 unidades.
De acordo com Everitt, o investimento não só amplia e moderniza a fábrica de Horizontina, ''mas demonstra a confiança que a John Deere tem no crescimento da agricultura brasileira.'' A expectativa é de um crescimento de 5% este ano nas vendas da fábrica no Rio Grande do Sul, atendendo mercado interno, argentino e europeu.
Em 2002 a unidade da empresa em Horizontina produziu três mil colheitadeiras e cinco mil tratores, vendidos no mercado brasileiro e em mais de 50 países nos quatro continentes.
No ano passado o faturamento da John Deere no Brasil somou R$ 914 milhões, com 86% de vendas para o mercado interno e 14% para a exportação. Esse ano o objetivo é fechar 2003 com até 25% de sua produção para a exportação. A maior fatia está na venda de colheitadeiras (53% da produção em 2002) tendo como principais compradores o mercado europeu e o argentino.
E os investimentos em tecnologias, de acordo com os diretores, não devem parar. A empresa investe no mundo cerca de US$ 1 milhão por dia ou aproximadamente US$ 350 milhões por ano. No Brasil, nos últimos cinco anos, só na fábrica de Horizontina, foram investidos US$ 20 milhões. ''Tudo para tornar ainda mais competitiva a fábrica brasileira diante das outras unidades do mundo, '' explica o presidente da empresa para a América do Sul, Jim Martinez.
Para David Everitt, o Brasil tem condições de se tornar líder mundial em algumas comodities, especialmente a soja. ''Esse é um dos motivos para os investimentos da companhia, que lançou nos últimos dois anos novas colheitadeiras, altamente produtivas, de tecnologia apurada, competitivas em qualquer parte do mundo.''
Para Everitt o Brasil é um país estratégico em termos mundiais para a John Deere. ''Que outro país no mundo tem condições de fazer cinco safras em dois anos?''
A jornalista viajou a Horizontina (RS) a convite da John Deere.

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